• Domingo, 24 de maio de 2026

Polarização entre petismo e e bolsonarismo desafia crescimento da 'terceira via'

Além do senador, herdeiro político de Jair Bolsonaro, e do presidente Lula, ao menos outros seis postulantes ao Palácio do Planalto correm por fora

Faltando pouco mais de quatro meses para as eleições de outubro, as principais pesquisas eleitorais apontam dois candidatos à frente: o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente Lula (PT), que tenta a reeleição.

Nesse cenário, no entanto, ainda há outros postulantes ao Palácio do Planalto que correm por fora na tentativa de superá-los. Entre esses nomes estão Ronaldo Caiado (PSB), Romeu Zema (Novo), Joaquim Barbosa (Democracia Cristã), Augusto Cury (Avante), Cabo Daciolo (Mobiliza) e Renan Santos (Missão), com a possibilidade de a lista incluir também o deputado federal Aécio Neves (PSDB).

A possibilidade de uma "terceira via" em meio a dois favoritos, normalmente antagônicos, não é uma prerrogativa criada pelo petismo ou pelo bolsonarismo, mas algo que se repete há anos no país. "Quase todas [as eleições] foram bipartidárias, entre duas escolhas: um partido consolidado, o PT, e outro que se alternou. Ora o PRN, depois o PSDB, depois o PFL, agora o PL. Esse pleito caminha na mesma direção: um candidato petista e o principal antagonista ao petista", disse o cientista político Malco Camargos à Itatiaia.

Na avaliação dele, o que pode ser um diferencial na votação deste ano é a disputa pelo antagonismo ao PT. "Não há espaço para uma candidatura de centro, isso é fato, mas quem será o adversário do PT? Hoje, o nome consolidado é o de Flávio [Bolsonaro], mas, dependendo do decorrer da campanha, pode haver uma mudança, e ele deixar de ser o candidato do PL", explicou.

O senador, escolhido como herdeiro político do pai, Jair Bolsonaro (PL), enfrenta uma crise política. Uma reportagem publicada pelo portal The Intercept Brasil revelou uma troca de mensagens entre Flávio e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e envolvido em uma das maiores fraudes do sistema financeiro brasileiro.

"Mesmo com a eleição polarizada, o resultado é sempre imprevisível. O que aconteceu nesta semana é um bom exemplo disso. Todos os ventos sopravam na direção do crescimento e fortalecimento da candidatura de Flávio Bolsonaro e, de repente, isso muda, e Lula passa a ser um novo protagonista, com mais chances do que tinha há dez dias", disse Camargos.

Apesar da grande polarização, quem define, de fato, o resultado das eleições são os eleitores que não estão nem de um lado nem de outro. Segundo Camargos, estima-se que o PT e o PL, partidos de Lula e Bolsonaro, tenham aproximadamente 30% da preferência partidária do eleitorado.

"Eles não têm força suficiente para eleger um candidato sozinhos, mas são fundamentais porque a escolha desses eleitores, quando vão para um lado ou para o outro, é o que define o resultado. São aqueles que não têm uma preferência clara, que não fazem parte da polarização, que de fato definem o jogo", declarou.

Por: ITATIAIA

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