Os pedidos de recuperação judicial no agronegócio brasileiro registraram alta de 138% em 2024, atingindo 1.272 solicitações, segundo levantamento da Serasa Experian divulgado na 3ª feira (1.abr.2025).
O crescimento na comparação com 2023 foi impulsionado por produtores rurais que atuam como pessoa física, com crescimento de quase 350%, totalizando 566 pedidos ao longo do ano.
O aumento reflete dificuldades financeiras agravadas pela alta dos juros, pela elevação dos custos de produção e pelos impactos climáticos. Os produtores de soja lideraram as solicitações (222) em 2024, seguidos por criadores de boi (75).
Segundo Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa, os juros altos, o custo de produção e os impactos climáticos afetaram principalmente os produtores mais alavancados, ou seja, aqueles que tinham contraído dívidas para investir, à espera de retorno.
A quebra histórica da safra de grãos em 2024, que atingiu até o Estado do Mato Grosso, após um ciclo recorde de soja e milho em 2023, também contribuiu para o cenário, afirmou Pimenta.
O Banco do Brasil alertou sobre a prática da “advocacia predatória”, em que produtores são orientados a solicitar recuperação judicial antes de esgotar negociações com credores.
A recuperação judicial é um recurso usado por empresas para não falir. O processo envolve a Justiça, a fim de que os credores sejam pagos sem que os negócios fechem as portas.