Novo marco do trabalho rural avança no Senado e pode mudar regras no campo
Após mais de 50 anos, proposta moderniza legislação de 1973, cria política nacional de qualificação e redefine contratos, jornada e segurança no trabalho rural
Após mais de 50 anos, proposta moderniza legislação de 1973, cria política nacional de qualificação e redefine contratos, jornada e segurança no trabalho rural A legislação que rege o trabalho rural no Brasil pode estar prestes a passar por uma das mais profundas transformações das últimas décadas. A Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) do Senado aprovou, nesta quarta-feira (25), o avanço do Projeto de Lei nº 4.812/2025, que propõe a criação de um novo marco legal para o trabalho no campo. A iniciativa surge em um momento em que o agronegócio brasileiro exige maior modernização das relações trabalhistas, alinhando-se às novas tecnologias, modelos produtivos e desafios logísticos enfrentados nas diferentes regiões do país. O objetivo central da proposta é substituir a legislação vigente desde 1973, considerada defasada frente à realidade atual do setor, além de unificar normas hoje dispersas em um único texto legal, facilitando a aplicação prática por produtores, trabalhadores e empresas do agro. Clique aqui para seguir o canal do CompreRural no Whatsapp
Novo marco do trabalho rural: Consolidação das regras e modernização do campo O projeto, de autoria da senadora Margareth Buzetti, reúne 221 artigos que tratam de temas essenciais, como contratos de trabalho, jornada, saúde, segurança e negociação coletiva. A proposta também vai além da simples atualização normativa: ela busca estruturar uma nova base para o futuro do trabalho rural no Brasil. window._taboola = window._taboola || [];
_taboola.push({mode:'thumbnails-mid', container:'taboola-mid-article-thumbnails', placement:'Mid Article Thumbnails', target_type: 'mix'});Entre os principais pontos está a criação da Política Nacional de Qualificação, Tecnologia, Inovação e Sustentabilidade no Trabalho Rural, que pretende: Capacitar a mão de obra rural Incentivar o uso de tecnologias no campo Melhorar a produtividade com segurança e sustentabilidade Esse eixo reforça uma tendência já observada no agronegócio brasileiro: a crescente necessidade de trabalhadores qualificados diante da digitalização e da mecanização das atividades. O relatório aprovado foi apresentado pelo senador Zequinha Marinho, que promoveu alterações importantes no texto original. Segundo o parlamentar, algumas regras precisavam ser ajustadas para refletir melhor as condições reais do campo, especialmente em regiões com desafios logísticos e operacionais. Entre as mudanças destacadas estão: Retirada ou flexibilização de regras consideradas de difícil aplicação, como certas exigências administrativas Revisão de pontos relacionados ao teletrabalho rural Ajustes em dispositivos que poderiam gerar insegurança jurídica Outro tema relevante foi a discussão sobre a indenização ao final de contratos de safra, considerada incompatível com a natureza temporária desse tipo de vínculo. A revisão desse ponto busca evitar distorções e custos adicionais para o produtor.
Novas formas de contratação e gestão de riscos O texto também traz avanços importantes ao regulamentar diferentes modalidades de contratação, acompanhando a evolução das relações de trabalho no campo. Entre elas: Trabalho temporário Trabalho intermitente Contratos por safra Além disso, o projeto prevê a criação de instrumentos voltados à proteção do trabalhador, como: Programas de gerenciamento de riscos Comissões internas de prevenção de acidentes Medidas contra assédio no ambiente de trabalho rural Essas iniciativas indicam uma tentativa de equilibrar produtividade e proteção, um dos principais desafios das legislações modernas. Próximos passos no Congresso Após a aprovação na Comissão de Agricultura, o projeto segue agora para análise da Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado. Caso seja aprovado em caráter terminativo, poderá avançar diretamente para a Câmara dos Deputados, acelerando sua tramitação.
A expectativa no setor é de que o novo marco legal traga mais segurança jurídica, simplificação das regras e maior aderência à realidade do campo, contribuindo para um ambiente mais previsível tanto para empregadores quanto para trabalhadores. O que está em jogo para o agro brasileiro A atualização da legislação trabalhista rural é vista como estratégica em um momento em que o Brasil consolida sua posição como potência agropecuária global. Com maior tecnificação, exigências ambientais e pressão por eficiência, o setor demanda regras mais claras e adaptadas à dinâmica produtiva. Se aprovado integralmente, o novo marco poderá representar: Redução de burocracia no campo Maior clareza nas relações trabalhistas Estímulo à inovação e qualificação profissional Mais competitividade para o agronegócio brasileiro Ao mesmo tempo, o debate deve seguir intenso, especialmente em temas sensíveis como direitos trabalhistas, custos operacionais e fiscalização.
O avanço no Senado marca, portanto, um passo decisivo para redesenhar o trabalho rural no Brasil, com impactos diretos sobre milhões de trabalhadores e produtores em todo o país.
Por: Redação





