Uma pesquisa desenvolveu uma nova cultivar de cebola adaptada às condições de verão nas regiões Centro-Oeste e Sudeste do País, estação considerada de alto risco para a produção da hortaliça. A cebola híbrida BRS Belatriz, criada pela Embrapa, suporta temperaturas elevadas, chuvas intensas e doenças típicas dessa época do ano, oferecendo ao produtor maior segurança produtiva e potencial de rentabilidade.
A cebola é tradicionalmente cultivada no inverno, em condições de temperaturas mais amenas. No verão, porém, as temperaturas elevadas e os dias mais longos aceleram o processo de formação do bulbo (bulbificação), o que reduz o tamanho comercial e compromete a produtividade. O ambiente quente e úmido também favorece o desenvolvimento de doenças severas.
Além da adaptação ao calor, a nova cultivar apresenta resistência moderada à queima foliar bacteriana, atualmente uma das principais doenças da cultura da cebola em áreas de Cerrado. Em condições favoráveis de cultivo, a BRS Belatriz pode atingir produtividades próximas a 70 toneladas por hectare, com predominância de bulbos das classes 3 e 4, padrão mais valorizado pelos mercados atacadista e varejista.
“O produtor já plantava cebola nesse período, mas utilizava materiais desenvolvidos principalmente para cultivo de inverno, o que aumentava muito os riscos da produção”, explicou o agrônomo Valter Oliveira, responsável pelo desenvolvimento da cultivar.
O lançamento da BRS Belatriz ocorrerá durante a AgroBrasília 2026, realizada entre 19 e 23 de maio, no Distrito Federal.
O desenvolvimento da BRS Belatriz foi motivado pela necessidade de disponibilizar aos produtores um material mais adaptado às condições climáticas do verão, especialmente para cultivo em regiões do Centro-Oeste e Sudeste.
Em áreas dessas regiões, a cultivar mantém desenvolvimento adequado mesmo em temperaturas superiores a 33 °C, consideradas críticas para a cultura da cebola. A resistência à bulbificação precoce sob altas temperaturas, permite à BRS Belatriz formar bulbos com padrão comercial adequado mesmo em condições climáticas adversas.
Outro diferencial é a resistência moderada a doenças favorecidas pelo período quente e chuvoso, como queima foliar bacteriana, antracnose e mancha-púrpura, além da tolerância ao nematoide-das-galhas e resistência moderada à raiz rosada. Em situações severas, essas enfermidades podem comprometer o desenvolvimento das plantas e inviabilizar a lavoura.
A cultivar pertence ao grupo das cebolas amarelas de ciclo precoce voltadas ao consumo fresco, segmento que responde pela maior parte do consumo mundial. Os bulbos apresentam formato arredondado e boa uniformidade de maturação, características importantes para a classificação comercial.
O material também se destaca pela pungência mais elevada, característica responsável pelo sabor mais intenso da cebola e valorizada pelo consumidor brasileiro, que utiliza a hortaliça principalmente como tempero.
Apesar do potencial da nova cultivar, o cultivo de cebola no verão continua sendo uma atividade de maior risco e altamente dependente das condições climáticas. Chuvas excessivas podem comprometer a emergência das plantas, favorecer doenças e elevar os custos de manejo.
A expectativa é que a nova cultivar contribua para ampliar a competitividade da cadeia produtiva e aumentar a estabilidade da oferta de cebola em um período tradicionalmente desafiador para a cultura.





