Um bebê de apenas 6 meses morreu nesta semana após ter sido diagnosticado com meningite bacteriana. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde de Papanduva, cidade onde a criança morava, a vítima teria tomado apenas uma dose da vacina contra a doença, enquanto a segunda dose estaria atrasada.
Após a identificação da doença e avaliação do quadro do bebê, ele foi transferido para Joinville, onde estava internado. A morte ocorreu na última terça-feira (28).
A Saúde de Papanduva informou que, até o momento, trata-se de um caso isolado, e todas as medidas necessárias estão sendo adotadas para garantir a segurança da população. A secretaria também reforçou a importância da vacinação, que é a principal forma de prevenção contra os principais tipos de meningite bacteriana.
A meningite é uma doença grave que provoca inflamação nas membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal. Pode ser causada por vírus, bactérias e, com menor frequência, por fungos ou parasitas.
De acordo com a Infectologista Pediatra do Hospital Infantil Joana de Gusmão e Presidente do Departamento Científico de Imunizações da Sociedade Catarinense de Pediatria, Sônia Maria de Faria, os principais sintomas de meningite, em geral, variam com a idade da pessoa acometida. Ela explica que, nas crianças maiores e adultos, é comum a presença de dor de cabeça, vômitos e febre.
— Quanto menor a criança mais inespecíficos tendem a ser os sintomas, chamando atenção a febre alta, a hipoatividade, sonolência ou irritabilidade e a recusa alimentar — aponta.
Na doença causada pelo meningococo, segundo ela, a presença da bactéria no sangue causa manchas hemorrágicas na pele, que podem ser de coloração avermelhada/vinhosa ou arroxeadas. Com esses sintomas, deve-se imediatamente buscar atendimento médico.
— A doença meningocócica evolui muito rápido, em questão de horas a pessoa acometida pode estar gravemente enferma — diz.
Segundo o médico infectologista da DIVE, as meningites bacterianas são transmitidas por contato direto com secreções respiratórias de pessoas infectadas ou portadoras assintomáticas, por meio de tosse, espirro ou fala a curta distância. Já as virais, geralmente associadas a enterovírus, são transmitidas principalmente pelo contato com fezes, alimentos ou água contaminados.
— Meningites fúngicas são mais raras e ocorrem sobretudo em indivíduos com imunossupressão grave, não havendo transmissão pessoa a pessoa — explica Gaudezi.
Sônia aponta que adolescentes e adultos jovens são os principais portadores assintomáticos do meningococo. Para reduzir o risco de contágio, segundo ela, as pessoas devem evitar se aglomerar em ambientes fechados e devem ter o calendário de vacinação em dia.
O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza, de forma gratuita, vacinas eficazes na prevenção de diversos tipos de meningite bacteriana:
Além dessas, a vacina BCG, aplicada no nascimento, previne as formas graves da tuberculose, incluindo a meningite tuberculosa. A adesão ao calendário nacional de vacinação é a medida mais eficaz e segura para reduzir a incidência e a gravidade das meningites no país, segundo a DIVE.





