Os ministros das Relações Exteriores da União Europeia se mostraram neste sábado (30) profundamente divididos em relação à guerra na Faixa de Gaza, com alguns pedindo que a UE exerça forte pressão econômica sobre Israel, enquanto outros deixaram claro que não estão dispostos a ir tão longe.
"Estamos divididos sobre essa questão", disse Kaja Kallas, chefe de política externa da UE, ao chegar para uma reunião com os ministros na capital dinamarquesa, Copenhague. "Se não tivermos uma voz unificada (...) sobre esse assunto, não teremos voz no cenário global. Portanto, isso é definitivamente muito problemático", disse ela.
Kallas disse que não estava "muito otimista" quanto à possibilidade dos ministros chegarem a um acordo até mesmo sobre uma proposta que ela descreveu como branda - por ser menos severa do que outras opções - para restringir o acesso israelense a um programa de financiamento de pesquisa da UE.
A guerra - lançada em resposta ao ataque a Israel em 7 de outubro de 2023 pelo grupo militante palestino Hamas - trouxe à tona diferenças profundamente enraizadas entre os 27 países da UE sobre o Oriente Médio.
Muitos governos da UE criticaram a conduta de Israel na guerra, principalmente em relação às mortes de civis e às restrições à ajuda humanitária. Mas eles não conseguiram chegar a um acordo sobre ações políticas ou econômicas impactantes da UE.
Países como Irlanda, Espanha, Suécia e Holanda pediram a suspensão de um pacto de livre comércio da UE com Israel. Mas os aliados tradicionais de Israel, como Alemanha, Hungria e República Tcheca, rejeitaram tais medidas.
"Se a UE não agir como um coletivo agora e adotar sanções contra Israel, quando o fará? O que mais poderia ser feito? As crianças estão morrendo de fome", disse o Ministro das Relações Exteriores da Irlanda, Simon Harris.
Descoberta da Fome
Um monitor global da fome que trabalha com as Nações Unidas e com as principais agências de ajuda humanitária disse na semana passada que havia determinado a existência de fome em Gaza. Israel rejeitou suas conclusões.
A União Europeia é o maior parceiro comercial de Israel, com o comércio de mercadorias entre os dois totalizando 42,6 bilhões de euros no ano passado, de acordo com a UE.
O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, disse que Berlim deixou claro que Israel tinha que respeitar os princípios humanitários na guerra e que a Alemanha havia suspendido a entrega de armas que poderiam ser usadas em Gaza.
Mas ele disse que a Alemanha não está "muito convencida" com a proposta de restringir o acesso israelense aos fundos de pesquisa da UE, questionando como a suspensão dessa cooperação civil, que ele descreveu como sensata, seria útil.
As autoridades da Comissão Europeia dizem que propuseram a medida para enviar um sinal inicial a Israel e porque ela não precisa de unanimidade para ser aprovada. O apoio de 15 países seria suficiente se eles representarem 65% da população da UE.
Israel rejeitou as críticas à sua condução da guerra e afirma que sua ação militar é necessária para derrotar o Hamas.
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