Em passagem por Belo Horizonte nesta quinta-feira (21), o ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Wellington Dias (PT-PI), comentou sobre as recentes leis aprovadas na capital mineira para lidar com a população em situação de rua. O chefe da pasta responsável pelo tema no governo federal apontou que medidas violentas têm resultados menos satisfatórios que uma abordagem voltada ao acolhimento das pessoas em situação de vulnerabilidade.
“Nós defendemos uma política humana, eu sei que muitas pessoas têm dificuldade de compreender. O fato concreto é que todas as vezes que se atuou sob a forma da imposição, sob a forma da violência, o resultado não foi bom. Muitas vezes aquelas pessoas saem de um ponto da cidade e vão para outras regiões. O caminho é a gente trabalhar equipes profissionais, fazer uma abordagem com uma série de políticas como o aluguel social, unidades de acolhimento e passar assim a trabalhar a chamada primeira moradia e depois a moradia definitiva. O Brasil agora acaba de separar uma parte do programa ‘Minha Casa, Minha Vida’ para garantir a condição de prioridade para essas pessoas. Precisamos lembrar que a pandemia fez muitas pessoas a irem para a situação de rua. É preciso analisar caso a caso. São seres humanos que têm situações diferentes. Esse é o caminho que dá resultado”, afirmou.
Nos últimos meses, a Câmara Municipal aprovou leis polêmicas relacionadas à população em situação de rua. Dois projetos assinados pelo vereador Bráulio Lara (Novo) se destacam neste sentido. Um deles permite a internação compulsória de usuários de drogas. Outro prevê a retirada de pertences de pessoas nas ruas para a desobstrução de vias.
Há também o projeto do vereador Vile Santos (PL) que prevê o envio de pessoas em situação de rua na capital mineira de volta para as cidades de onde vieram, no caso dos que nasceram no interior do estado.
Em 2025, de acordo com o Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua, projeto da Faculdade de Direito da UFMG, Belo Horizonte registrou mais de 15 mil pessoas vivendo nas ruas. O número é quase metade das 33 mil na mesma condição em Minas Gerais.
Wellington Dias falou à Itatiaia durante visita ao Centro de Referência em Assistência Social (CRAS) Independência, na Região do Barreiro, em BH. Ainda nesta quinta, o ministro cumpre agenda na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) em um debate sobre o fim da escala 6x1 e participa do ato de Abertura da Feira da Cidadania, no Santa Efigênia.





