• Quarta-feira, 4 de março de 2026

Metade dos trabalhadores de app é contra formalização, diz pesquisa

Categoria ainda resiste à proposta de regulamentação do setor; 62% dizem que formalização pode afetar renda mensal.

Mais da metade dos trabalhadores de aplicativo é contra o PLP 152 de 2025, que cria um marco regulatório para o setor, mostra pesquisa realizada pela plataforma GigU em parceria com a consultoria Jangada. Leia a íntegra (PDF – 1.840 kB). 

Dos motoristas e entregadores que participaram do estudo, 52,2% dizem ser contrários à regulamentação do segmento, enquanto 42,2% são a favor.

O projeto tramita na Câmara dos Deputados sob relatoria do deputado Augusto Coutinho (Republicanos-PE) e estabelece uma formalização para a categoria, com medidas como piso para corridas curtas, teto de retenção para as plataformas, criação de uma figura jurídica específica para trabalhadores autônomos plataformizados e mudanças no regime previdenciário do setor.  

Um dos motivos para o projeto ainda enfrentar resistência da categoria é a avaliação de que as mudanças podem prejudicar os ganhos financeiros. Mais de 62% dos motoristas afirmam que a formalização poderia impactar negativamente a renda mensal, enquanto só 11,4% projetam aumento nos rendimentos com uma eventual reforma. 

Quase metade dos motoristas (47,9%) não vê nenhum benefício relevante na regulamentação. Em contrapartida, 38,5% dizem que se sentiriam mais seguros se houvesse um modelo claro de formalização da categoria. 

Entre os que identificam vantagens na proposta, 16,9% têm interesse em proteção em caso de doença ou acidente, 14,9% no reconhecimento profissional, 10,2% na segurança financeira a longo prazo e 10,1% em acesso à aposentadoria. 

Os participantes se dividiram ao responderem sobre a imagem e a percepção de legitimidade da ocupação. Para 32,1%, a formalização poderia prejudicar a consolidação da atividade; 29,7% defendem que “melhoraria muito” e 19,5% projetam “melhora parcial”

Startup brasileira que ajuda motoristas e entregadores a aumentarem lucros, a GigU ouviu 1.915 motoristas e entregadores em todo o Brasil, todos cadastrados no aplicativo. Os trabalhadores responderam um questionário on-line durante o mês de fevereiro. 

O PLP 152 está em análise em uma comissão especial na Câmara. Ao Poder360, Augusto Coutinho disse que o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), quer votar o texto no plenário até o fim de março. Essa é uma das prioridades de Motta para 2026.

Alguns pontos do projeto ainda dividem integrantes do Congresso e do governo. Um dos impasses é sobre o piso mínimo para corridas curtas de R$ 8,50, estabelecido no relatório de Coutinho. 

Leia a seguir os principais pontos do projeto: 

Por: Poder360

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