• Terça-feira, 9 de junho de 2026

Mercado vê inflação de 5,11% e reduz aposta em corte de juros

Projeção para 2026 subiu pela 13ª semana consecutiva e segue acima da meta do Banco Central; alta do petróleo e guerra no Oriente Médio pressionam expectativas

A expectativa do mercado financeiro para a inflação voltou a subir e alcançou 5,11% em 2026, segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (8) pelo Banco Central. Esta é a décima terceira semana consecutiva de alta nas projeções dos analistas.

Na semana anterior, a estimativa era de 5,09%. Para 2027, a previsão também avançou, passando de 4,02% para 4,03%.

O percentual projetado para este ano segue acima da meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional, de 3%, com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%.

A inflação acumulada em 12 meses está em 5,32%, segundo os dados mais recentes divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), permanecendo acima do teto da meta.

Entre os fatores que pressionam as expectativas está a alta do petróleo no mercado internacional. O agravamento dos conflitos no Oriente Médio elevou o preço do barril para perto de US$ 94, aumentando o risco de reajustes nos combustíveis e de impactos em cadeia sobre os preços de produtos e serviços.

A inflação mais resistente também levou o mercado a rever as projeções para os juros. Os analistas passaram a prever uma redução menor da taxa Selic ao longo do ano.

Atualmente, a taxa básica de juros está em 14,5% ao ano. A expectativa agora é que ela encerre 2026 em 13,5%, acima da projeção anterior, de 13,25%. Quanto maior a expectativa de inflação, menor tende a ser o espaço para cortes nos juros pelo Banco Central.

O Boletim Focus reúne semanalmente as estimativas de mais de cem instituições financeiras para os principais indicadores da economia brasileira.

Além da inflação e dos juros, o mercado elevou levemente a previsão de crescimento da economia em 2026. A expectativa para o Produto Interno Bruto (PIB) passou de 1,90% para 1,91%.

Já a projeção para o dólar no fim do ano recuou de R$ 5,16 para R$ 5,15.

Na avaliação dos economistas, o comportamento dos preços dos combustíveis e o cenário internacional devem continuar sendo fatores determinantes para as próximas decisões do Banco Central sobre a taxa de juros.

Por: ITATIAIA

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