• Sábado, 18 de abril de 2026

Marinho diz que STF foi ‘sem noção’ e ‘deplorável’ ao reagir à CPI do Crime Organizado

Em entrevista à Rádio Itatiaia, o senador comentou sobre as reações dos ministros do STF, que tiverem seus nomes citados no relatório final da CPI

O senador Rogério Marinho criticou a reação do Supremo Tribunal Federal (STF) diante do relatório da chamada CPI do Crime Organizado. Segundo ele, a resposta de ministros da Corte foi “deplorável e sem noção”, ao comentar manifestações públicas de integrantes do tribunal sobre o conteúdo do documento. A declaração foi dada em entrevista à Rádio Itatiaia nesta quinta-feira (16).

Marinho afirmou que o relatório, embora pudesse ter dado mais ênfase à responsabilização de organizações criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho, é uma prerrogativa do Congresso Nacional. Para o senador, a reação de ministros do STF, incluindo falas sobre possíveis punições a parlamentares e questionamentos ao funcionamento da comissão, representaria uma interferência entre os Poderes.

“O Supremo não pode se comportar como se fosse o Legislativo”, afirmou ele.

O parlamentar também fez uma analogia com a obra A Revolução dos Bichos, de George Orwell, para criticar o que classificou como atuação desigual de autoridades brasileiras. Segundo ele, há no país uma percepção de que “alguns cidadãos se acham acima da lei”.

O texto votado no Congresso pedia o indiciamento de três ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do procurador-geral da República (PGR): Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Paulo Gonet, por suposto crime de responsabilidade.

A CPI rejeitou o relatório final de Alessandro Vieira por 6 votos a 4, no último dia de funcionamento do colegiado, instalado em novembro de 2025 para investigar a atuação de facções criminosas e milícias no país.

A votação foi marcada por uma mudança na composição da comissão horas antes da deliberação. Os senadores Sergio Moro (PL-PR) e Marcos do Val (Avante-ES), que indicavam apoio ao relatório, foram substituídos por Beto Faro (PT-PA) e Teresa Leitão (PT-PE), alinhados ao governo. Nos bastidores, parlamentares admitiram que a alteração foi determinante para a rejeição do parecer.

Por: ITATIAIA

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