O presidente da França, Emmanuel Macron (Renascimento, centro), anunciou nesta 5ª feira (8.jan.2026) que o país votará contra a assinatura do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul. A ratificação do tratado será votada na 6ª feira (9.jan) no Conselho Europeu, em Bruxelas (Bélgica).
Em comunicado divulgado no X, Macron reconheceu que houve “avanços incontestáveis” nas negociações, em referência às cláusulas de proteção aos agricultores europeus e normas sanitárias adicionadas ao acordo –medidas defendidas pela França. O presidente francês, contudo, disse que há “uma rejeição unânime” na Assembleia Nacional e no Senado do país.
“A etapa da assinatura do acordo não constitui o fim da história. Continuarei a lutar pela plena implementação concreta dos compromissos obtidos junto à Comissão Europeia e para proteger nossos agricultores”, afirmou Macron.
A declaração do presidente se dá em um momento em que o acordo se encaminha para um desfecho. A Itália, que havia barrado a assinatura em dezembro, sinalizou nesta semana ter mudado de posição e deve votar a favor.
Italianos e franceses haviam frustrado as esperanças do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de assinar o acordo ainda em 2025, com o Brasil ainda na presidência do Mercosul. Argumentaram que não estavam preparados para apoiar o trato até que fossem resolvidas as inseguranças dos agricultores europeus em relação à entrada de produtos do bloco sul-americano, incluindo carne bovina e açúcar.
Na 5ª feira (6.jan), a premiê italiana Giorgia Meloni (Irmãos da Itália, direita) disse ter recebido como um “passo positivo e significativo” uma proposta da Comissão Europeia para que integrantes do bloco tenham acesso antecipado a alguns fundos agrícolas do Orçamento para 2028-2034. O montante de cerca de 45 bilhões de euros deve ser disponibilizado às necessidades dos agricultores europeus.
Além da França, países como Irlanda, Hungria e Polônia também são contra a assinatura do tratado. A oposição, no entanto, não deve ser suficiente para barrar a assinatura na votação de 6ª feira (9.jan).
Para aprovar o acordo, a Comissão Europeia, braço executivo do bloco, precisa do apoio de pelo menos 15 dos 27 países integrantes, que representem pelo menos 65% da população. A iniciativa é apoiada por potências como Alemanha e Espanha. Com 59 milhões de habitantes, a Itália é considerada parte fundamental da votação.
Se aprovado, a expectativa é que o trato seja assinado já na próxima semana. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, deve viajar para o Paraguai para a assinatura formal, possivelmente em 12 de janeiro. Os paraguaios estão na presidência rotativa do bloco sul-americano.





