“Luto pelo Agro”: protesto na Expodireto Cotrijal expõe crise de endividamento e revolta no RS
Manifestação intitulada “Luto pelo Agro” com caixão simbólico, cruzes e manifesto público marcou a abertura da maior feira agrícola do Sul do país; agricultores denunciam dívidas, dificuldades para renegociar crédito rural e cobrança de royalties sobre sementes.
Manifestação intitulada “Luto pelo Agro” com caixão simbólico, cruzes e manifesto público marcou a abertura da maior feira agrícola do Sul do país; produtores denunciam dívidas, dificuldades para renegociar crédito rural e cobrança de royalties sobre sementes. A abertura da 26ª edição da Expodireto Cotrijal, uma das maiores feiras do agronegócio da América Latina, começou sob forte clima de tensão nesta segunda-feira (9), em Não-Me-Toque, no norte do Rio Grande do Sul. Logo nas primeiras horas do dia, agricultores organizaram um protesto simbólico para chamar atenção para a grave crise financeira enfrentada por produtores rurais do estado. Vestidos de preto e carregando cruzes de madeira, produtores realizaram um cortejo fúnebre simbólico, levando inclusive um caixão durante a caminhada até a entrada do parque da feira. A manifestação foi organizada por entidades que representam agricultores e empresários rurais e teve como objetivo denunciar o endividamento crescente no campo e o que consideram falhas no sistema de crédito rural.
A imagem que marcou o ato — com faixas e cartazes com a frase “Luto pelo Agro” — transformou o primeiro dia da feira em um palco de alerta sobre os desafios econômicos enfrentados por produtores gaúchos. window._taboola = window._taboola || [];
_taboola.push({mode:'thumbnails-mid', container:'taboola-mid-article-thumbnails', placement:'Mid Article Thumbnails', target_type: 'mix'});Cortejo simbólico denuncia pressão financeira no campo O protesto percorreu cerca de seis quilômetros, partindo da comunidade de Invernadinha até a entrada da Expodireto. Durante o trajeto, produtores carregaram o caixão e cruzes em referência simbólica a agricultores que, segundo os organizadores, não suportaram a pressão financeira nos últimos anos. De acordo com lideranças da mobilização, a manifestação foi pensada para chamar a atenção de autoridades, instituições financeiras e empresas do setor agrícola para a situação de milhares de produtores. Entre os principais problemas apontados estão:
endividamento acumulado após sucessivas perdas climáticas
dificuldades na renegociação de financiamentos rurais
redução da capacidade de investimento nas lavouras
insegurança jurídica nas relações com instituições financeiras
Produtores afirmam que a crise tem sido agravada por anos seguidos de estiagens no Rio Grande do Sul, que impactaram fortemente a produção agrícola e a renda das propriedades rurais. Dívidas rurais e dificuldades de renegociação Durante o protesto, agricultores relataram que muitos produtores ainda não conseguiram renegociar dívidas acumuladas ao longo das últimas safras, mesmo diante de perdas provocadas por fatores climáticos.
Segundo as entidades que organizaram o ato, parte dos produtores acabou reduzindo o investimento nas lavouras ou até deixando de plantar em determinadas áreas por falta de recursos. O presidente da Associação dos Produtores e Empresários Rurais (APER), Arlei Romeiro, afirmou que a mobilização também denuncia o que considera descumprimento da legislação que regula o crédito rural por parte de instituições financeiras. De acordo com ele, normas como o Manual de Crédito Rural e decisões judiciais relacionadas ao tema preveem que produtores afetados por frustração de safra têm direito à prorrogação de dívidas — medida que, segundo os manifestantes, nem sempre é aplicada na prática.
Caixão e cruzes deverão permanecer expostos na entrada do parque durante todo período da feira, diz associação de produtores. Foto: APER/DivulgaçãoCobrança de royalties sobre sementes gera nova disputa Outro ponto central da manifestação foi a cobrança de royalties sobre sementes e biotecnologia agrícola, tema que já vem gerando disputas no setor.
Durante o protesto, representantes dos agricultores entregaram documentos à empresa Bayer solicitando esclarecimentos sobre a cobrança de uma multa de 7,5% aplicada nas moegas durante a entrega de grãos. Segundo os produtores, a cobrança não teria base legal porque não existe contrato direto entre os agricultores e a empresa prevendo essa penalidade. A Bayer informou que recebeu representantes do setor durante a feira e afirmou estar aberta ao diálogo. Em nota, a companhia destacou que o uso de biotecnologia é opcional e depende de investimentos em pesquisa e desenvolvimento realizados ao longo de décadas, ressaltando que a proteção de patentes é fundamental para garantir inovação no setor agrícola. A empresa também citou dados sobre o impacto da tecnologia na produção agrícola, afirmando que a produção de soja brasileira praticamente dobrou desde o lançamento da tecnologia Intacta RR2 Pro, contribuindo para o avanço da produtividade no país.
Diesel e geopolítica também preocupam produtores Além das dívidas e dos royalties, outra preocupação manifestada durante o protesto envolve o abastecimento de diesel no período da colheita. Representantes do setor alertaram que tensões internacionais e possíveis impactos no fornecimento de combustível poderiam afetar diretamente as operações no campo.
Caso haja interrupções no abastecimento durante a colheita da soja, produtores afirmam que máquinas e caminhões podem ficar parados, comprometendo toda a logística da safra. Símbolos do protesto devem permanecer durante a feira Os organizadores informaram que o caixão e as cruzes utilizados no protesto permanecerão expostos na entrada do parque da Expodireto durante toda a semana, como forma de manter o debate sobre a crise do agro gaúcho.
Por: Redação
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