O grupo de companhias aéreas Lufthansa deve cancelar cerca de 20 mil voos de curta distância até outubro para economizar combustível em meio à escassez e à alta dos preços após o início da guerra no Irã. O anúncio foi feito pela companhia na noite dessa terça-feira (21).
Em comunicado, a empresa informou que os 20 mil voos cancelados representam uma redução de 1% na capacidade de passageiros para o período de verão no Hemisfério Norte e uma economia de aproximadamente 40 mil toneladas de querosene, cujo preço dobrou desde o início da guerra no Irã.
A maioria dos voos é da subsidiária regional Cityline, cujo fim das operações foi anunciado na semana passada.
Na ocasião, a Lufthansa anunciou um conjunto de medidas como não usar aeronaves ineficientes e remover permanentemente os 27 aviões operacionais da CityLine da agenda de voos de verão no Hemisfério Norte, no meio do ano.
A retirada das aeronaves da CityLine já estava planejada, mas a guerra e disputas trabalhistas, incluindo paralisações, forçaram o grupo a antecipar a medida.
O aumento do preço do petróleo no mercado internacional e os sucessivos reajustes no querosene de aviação (QAV) também impactam a malha aérea brasileira. Companhias do setor cancelaram mais de 2 mil voos programados para maio, segundo levantamento com base em dados do sistema da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
Os estados mais afetados, até o momento, são Amazonas, com queda de 17,5% no número de voos, seguido por Pernambuco (-10,5%), Goiás (-9,3%), Pará (-9,0%) e Paraíba (-8,9%).
De acordo com executivos ouvidos pela CNN, os cortes se concentram, por ora, em rotas menos rentáveis, preservando ligações de maior demanda, como São Paulo-Rio de Janeiro e São Paulo-Brasília.
A tendência, porém, é de ampliação das reduções caso o cenário de custos elevados persista. Nos bastidores, representantes das companhias atribuem o movimento diretamente ao aumento de 54% no preço do QAV aplicado pela Petrobras em 1º de abril.
A estatal revisa os valores mensalmente e já sinalizou a distribuidores a possibilidade de um novo reajuste em 1º de maio, estimado em cerca de 20%, a depender das variações do mercado.
(Sob supervisão de Alex Araújo)





