• Sábado, 5 de abril de 2025

Leucemia: transplante de medula aproxima irmãos que não se conheciam

Transplante de medula era a melhor opção para aumentar as chances de cura de Wanderson, e doador acabou sendo irmão que ele não conhecia

A leucemia linfoide aguda é uma doença grave que afeta a produção de células sanguíneas e pode ser mais agressiva em adultos. Esse foi o diagnóstico que transformou a vida de Wanderson César, analista de operações logísticas de 36 anos, morador de Valparaíso, em Goiás. A rotina de Wanderson era ativa, marcada por esportes como futebol e ciclismo, mas em 2021 a vida dele mudou. Poucos dias depois de uma confraternização de trabalho, onde passou o dia na piscina, o analista , febre e sudorese intensa. Wanderson buscou atendimento médico e foi internado com um quadro de pneumonia. Dias depois, exames adicionais confirmaram algo mais grave: leucemia aguda. O diagnóstico oficial veio na noite de 20 de dezembro de 2021. “A médica disse que era leucemia, mas que seriam necessários mais exames para identificar o tipo e definir o tratamento. No início, eu não tinha noção do desafio. Mas quando a quimioterapia começou e meu cabelo caiu, foi um choque”, conta Wanderson, que recebeu a notícia ao lado da esposa, Tais Nathielle. O analista ficou 240 dias internado. A hematologista Andresa Melo, do Hospital Brasília, esclarece que a , diagnosticada em Wanderson, é um tipo da doença mais comum em crianças e considerado grave em adultos. “Ele respondeu bem à primeira fase da quimioterapia e entrou em remissão. No entanto, por ser uma doença com alto risco de recidiva, indicamos o transplante de medula óssea para consolidar o resultado”, explica. O que é a leucemia linfoide aguda? A leucemia é um tipo de câncer que afeta o sangue e a medula óssea e pode ter diferentes formas de apresentação e tratamento. Embora seja um dos tipos de câncer mais comuns na infância, é possível que a leucemia afete pessoas de qualquer idade. Em estágios iniciais, a doença pode ser silenciosa ou manifestar sintomas inespecíficos. Os casos agudos costumam ter uma evolução mais rápida e os sinais surgem subitamente, como fadiga, febre persistente e sangramentos frequentes. O (TMO) é indicado apenas em alguns casos, a partir de avaliação e recomendação médica. A busca pelo doador e a conexão com o irmão O transplante de medula era a melhor opção para aumentar as chances de cura, mas era necessário achar um doador compatível. Sem contato com seu pai biológico, Wanderson sabia que poderia ter irmãos, mas nunca os conheceu. Foi através de sua tia, Maria de Fátima Silva Lima, que mora Esperantina, no Piauí, que ele descobriu dois meio-irmãos. Um deles, Evoniel Barbosa, de 27 anos, foi identificado como doador com 50% de compatibilidade. “A busca pelo doador foi a melhor parte do processo. Meus parentes em Esperantina (PI) organizaram campanhas para encontrar uma compatibilidade total, mas no fim meu irmão foi o escolhido”, conta. No dia 5 de agosto de 2022, Wanderson recebeu a medula de Evoniel no Hospital Brasília. O procedimento foi um transplante haploidêntico, quando o doador compartilha apenas um haplótipo idêntico ao paciente. “Nesses casos, o risco de rejeição é maior e o paciente precisa de uma imunossupressão mais profunda, o que aumenta o risco de infecções”, explica Andresa. A médica esclarece que, em um transplante totalmente compatível, o paciente e o doador possuem um HLA (antígeno leucocitário humano) idêntico, o que reduz as chances de rejeição e facilita a recuperação. “No haploidêntico, como há apenas uma compatibilidade parcial, é necessário um acompanhamento mais rigoroso e o uso de medicamentos imunossupressores para evitar complicações”, acrescenta. O vínculo entre Wanderson e Evoniel se fortaleceu após o procedimento. “Viramos, de fato, irmãos. Hoje temos contato quase diário e queremos nos ver sempre que possível”, diz Wanderson. Recuperação Desde o transplante, Wanderson segue em remissão completa e faz tratamento de manutenção com medicamento. Ele afirma que a recuperação física tem sido boa, mas enfrentou desafios emocionais e sociais. “Senti que as pessoas evitavam me cobrar no trabalho, o que começou a afetar meu emocional. Acabei pedindo demissão da empresa onde trabalhei por 17 anos”, relata. Apesar das dificuldades, ele destaca a nova perspectiva que adquiriu sobre a vida. “Mudou tudo. A rotina, a forma de enxergar as coisas. Aprendi a valorizar ainda mais as pessoas ao meu redor”, diz. Siga a editoria de e no e fique por dentro de tudo sobre o assunto!
Por: Metrópoles

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