O Japão tem reservas de petróleo suficientes para 254 dias de consumo, afirmou a primeira-ministra Sanae Takaichi (PLD, direita) ao Parlamento nesta 2ª feira (2.mar.2026). A fala se dá no contexto do fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, rota estratégica para o abastecimento energético do país asiático, em retaliação ao ataque militar dos Estados Unidos e de Israel, iniciado no sábado (28.fev). As informações são do jornal japonês The Mainichi.
O Irã não tem o domínio completo do Estreito de Ormuz, mas controla parte significativa da costa e das águas territoriais no lado norte. A região marítima entre o Golfo de Omã e o Golfo Pérsico é a via de transporte de 20% a 30% de todo o petróleo global, inclusive para o Japão. Embarcações na área estão recebendo mensagens repetidas da IRGC (Corpo de Guardas da Revolução Islâmica) informando que nenhum navio está autorizado a cruzar o Estreito.
A administração Takaichi disse que implementará medidas para minimizar impactos sobre a vida pública e as atividades econômicas. “Garantiremos um fornecimento estável de energia ao nosso país. As medidas necessárias serão tomadas prontamente”, afirmou a primeira-ministra do Japão.
Ao travar o estreito, o Irã também sufoca países como Qatar, Bahrein, Arábia Saudita e Emirados Árabes, que dependem da rota para escoar sua produção de petróleo, e que estão sendo alvos de ataques de retaliação do país persa.
Os Estados Unidos atacaram o Irã depois de semanas de tensão entre os 2 países. Em 19 de fevereiro, Trump afirmou que, em até 10 dias, saberia se deveria dar “um passo adiante” em relação a um ataque contra o Irã.
Depois, o republicano declarou que todos, incluindo o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, Dan Caine, consideram que uma eventual guerra contra o Irã resultaria em uma “vitória fácil” dos norte-americanos.
No discurso do Estado da União, na 3ª feira (24.fev), Trump disse que os EUA ainda não tinham ouvido o Irã pronunciar “aquelas palavras mágicas: ‘nunca teremos uma arma nuclear’”. No pronunciamento, o presidente norte-americano afirmou que o regime persa “já desenvolveu mísseis que podem ameaçar a Europa e as nossas bases no exterior, e está trabalhando para construir mísseis que, em breve, chegarão aos EUA”.
As declarações de Trump foram feitas enquanto o país realizava conversas diplomáticas com o Irã, que não resultaram em acordo.
Segundo a agência Reuters, o país estaria disposto a fazer concessões aos EUA se os norte-americanos reconhecessem o seu direito de enriquecer urânio para fins pacíficos e suspendessem as sanções econômicas.
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