• Domingo, 1 de fevereiro de 2026

Israel reabre passagem de Rafah durante cessar-fogo em Gaza

Autoridades permitem movimento limitado de pessoas na fronteira com Egito; passagem estava há quase 2 anos fechada.

Israel reabriu parcialmente a passagem de fronteira de Rafah, entre a Faixa de Gaza e o Egito. A medida, adotada neste domingo (1º.fev.2026), é parte da 2ª fase do acordo de cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos entre Israel e Hamas. A reabertura vem após quase 2 anos de fechamento quase completo.

A Cogat (Coordenadoria de Atividades Governamentais nos Territórios, em tradução livre) informou que a passagem foi aberta “em caráter experimental” e “apenas para movimento limitado de pessoas”. Em comunicado posterior, o órgão israelense disse que uma reabertura mais ampla está prevista para 2ª feira (2.fev), para permitir que mais palestinos atravessem a fronteira. Os comunicados não mencionaram planos para aumentar a entrada de ajuda internacional.

O chefe do novo comitê palestino, que governa os assuntos diários de Gaza também confirmou que a passagem será aberta em ambas as direções a partir de 2ª feira (2.fev).

A passagem de Rafah com o Egito é o único ponto de fronteira da Faixa de Gaza através do qual os palestinos podem sair e entrar no enclave sob um bloqueio israelense imposto ao território desde que o Hamas assumiu o controle em 2007. O exército israelense tomou a passagem de Rafah em maio de 2024, alegando que fazia parte das operações de contrabando do Hamas.

Caso o projeto piloto seja bem-sucedido, espera-se que o número de pessoas que atravessam a passagem aumente com o passar do tempo.

O caminho para avançar para a 2ª etapa do cessar-fogo foi aberto após a recuperação dos restos mortais do último refém israelense mantido no enclave, no início desta semana. A reabertura é feita 1 dia depois de Israel realizar um grande ataque aéreo em Gaza –ao menos 30 pessoas morreram.

O Ministério da Saúde de Gaza informou que cerca de 20.000 palestinos, incluindo crianças, aguardam atendimento médico fora da Faixa de Gaza, devastada pela guerra. Milhares de outros palestinos que esperam retornar para casa ainda aguardam a oportunidade de poder viajar.

O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu (Likud, direita) afirmou que 50 pacientes serão autorizados por dia a deixar a Faixa de Gaza. Além disso, 50 pessoas serão autorizadas a entrar em Gaza diariamente. Israel e Egito serão responsáveis pela verificação daqueles que entram e saem, enquanto a passagem será supervisionada por agentes de patrulha de fronteira da União Europeia.

Enquanto isso, Israel anunciou que está tomando medidas para impedir que a organização de ajuda MSF (Médicos Sem Fronteiras) opere na Faixa de Gaza. Ao anunciar a proibição pretendida, o Ministério da Diáspora disse que o MSF se recusou a cumprir um novo procedimento de registro que exige que organizações humanitárias apresentem listas de funcionários palestinos locais. O ministério afirmou que o procedimento visa impedir que atividades humanitárias sejam exploradas “para atividades hostis e terrorismo.”

O ministério havia alegado, anteriormente, que 2 integrantes da equipe do MSF eram filiados aos grupos militantes palestinos Hamas e Jihad Islâmica, a instituição de caridade negou veementemente. O MSF informou na 6ª feira (30.jan.2026) que decidiu não entregar tal lista às autoridades israelenses, dizendo que tentou sem sucesso por meses negociar com elas sobre garantias de segurança para sua equipe.

De acordo com a proibição, o grupo terá que deixar o território até 28 de fevereiro.

Por: Poder360

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