• Quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Indústria segue patinando e andando de lado no Brasil, dizem analistas

Segundo o IBGE, houve uma leve alta de 0,1% na produção industrial do país em outubro, na comparação com o mês anterior

Os resultados do mês de outubro da no Brasil não surpreenderam o mercado e confirmaram que o setor segue patinando, “andando de lado” já há algum tempo e sem sinais de um novo impulso para um crescimento maior e mais sustentável. De acordo com economistas e analistas consultados pela reportagem do Metrópoles nesta terça-feira (2/12), logo depois da divulgação dos dados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (), o impacto das tarifas comerciais aplicadas pelos Estados Unidos e a elevada taxa básica de juros no Brasil dificultam um melhor desempenho da indústria nacional. , na comparação com o mês anterior. Por outro lado, em relação ao mesmo período do ano passado, houve recuo de 0,5%. No acumulado dos dez primeiros meses de 2025, o crescimento é de 0,8%. Em 12 meses até outubro, a alta é de 0,9%. Entre setembro e outubro deste ano, três das quatro grandes categorias econômicas e 12 dos 25 ramos industriais pesquisados registraram crescimento na produção. Entre as atividades, a principal influência positiva foi das indústrias extrativas, que avançaram 3,6%, interrompendo uma sequência de dois meses consecutivos de queda. Leia também O que diz o mercado Segundo André Valério, economista sênior do Banco Inter, o resultado da indústria em outubro “reforça a dinâmica de acomodação do crescimento do setor”. “A indústria tem se mostrado o setor mais exposto ao tarifaço, tendo em vista que o mercado norte-americano é de grande relevância para as exportações industriais e que os nossos produtos industriais não foram contemplados com nenhuma amenização das tarifas, como foi o caso de diversos outros produtos”, avalia. “Além disso, a produção industrial, por ser mais intensiva em capital, é mais sensível à política monetária, e o aperto das condições financeiras deve continuar sendo uma força contrária para o setor nas próximas leituras. Esperamos continuidade da tendência de acomodação, com o setor encerrando o ano com alta de 0,5%”, projeta Valério. Ariane Benedito, economista-chefe do PicPay, observa que a produção industrial brasileira “mostrou nova perda de fôlego em outubro, avançando apenas 0,1% na margem, em linha com a nossa expectativa de leve alta, mas indicando continuidade do quadro de estagnação observado desde o início do segundo semestre”. “O resultado sucede a queda de setembro e reforça um ambiente de atividade moderada, ainda condicionado pela política monetária restritiva, pela desaceleração da demanda e pelo enfraquecimento das exportações de manufaturados”, explica. Ariane afirma ainda que, apesar do resultado positivo no acumulado do ano, “a leitura de outubro e a queda registrada em setembro confirmam uma trajetória de atividade irregular, marcada por ciclos curtos de recomposição e quedas subsequentes”. “Para os últimos meses de 2025, mantemos um cenário de volatilidade e estabilidade na média móvel, com projeção de crescimento marginal em novembro e dezembro. Com isso, estimamos que a indústria encerre 2025 com avanço próximo de 0,9%, refletindo um ano de retomada limitada, desempenho heterogêneo entre os setores e sensibilidade elevada às condições macroeconômicas”, completa. O economista Maykon Douglas, por sua vez, afirma que “o dado da indústria em outubro é mais um caso em que o número em si não conta toda a história”. “O setor voltou a cair na comparação anual, e o impacto do setor extrativo na margem, que costuma ser bastante volátil, foi menor que o esperado”, destaca. “Há algum tempo, a indústria doméstica opera em dois trilhos, com alguns bons resultados no setor extrativo e uma grande fraqueza na indústria de transformação, mais sensível às condições dos juros. Com o aperto monetário em curso pelo Banco Central, a tendência é que essa trajetória se mantenha nos próximos meses”, conclui.
Por: Metrópoles

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