Incerteza domina mercados no “Dia D” da guerra comercial de Trump
Presidente dos EUA prometeu anunciar nesta quarta-feira (2/4) novas tarifas sobre produtos importados, que afetarão “todos os países”
Os mercados globais estão patinando na incerteza, diante da iminência do anúncio das tarifas recíprocas sobre produtos importados, impostas pelo presidente dos Estados Unidos, . A previsão é que as medidas sejam divulgadas às 16 h (horário de Brasília) desta quarta-feira (2/4), num evento com transmissão ao vivo no Jardim das Rosas da Casa Branca.
O republicano definiu a ocasião como o “Dia da Libertação” dos EUA. No domingo (30/3), afirmou que as sobretaxas afetarão “todos os países” e não só aqueles que mantêm desequilíbrios comerciais que considera relevantes com os EUA.
Até agora, contudo, o plano de Trump é um mistério. Desde que tomou posse, em 20 de janeiro, ele impôs tarifas sobre a importação do aço e alumínio, além de taxas adicionais sobre produtos da China. Na quinta-feira (3 /4), entrarão em vigor sobretaxas sobre automóveis importados.
Agora, o Laboratório Orçamentário da Universidade de Yale projeta mais um aumento de 5% para o Canadá, 16% para o México, 17% para a Índia, quase 19% para França e Alemanha, e 13% para a China. As tarifas são chamadas de recíprocas, porque elas equilibrariam valores da cobrados por esses países sobre produtos americanos.
Déficit comercial
O fato é que os Estados Unidos importam mais do que exportam. Para Trump, tal desequilíbrio indica que outros países abusam do acesso ao mercado americano, sem permitir a mesma abertura.
Além disso, Trump tem destacado a tributação interna dos Estados europeus como um fator de desequilíbrio das relações comerciais. Considera elevado, por exemplo, o imposto sobre o valor agregado (IVA) em alguns países da região.
Retaliações armadas
Os outros países, contudo, prometem não assistir passivamente à imposição das taxas. e Canadá já começaram a responder às medidas de Trump. A ameaçou fazer o mesmo.
“Não queremos necessariamente retaliar”, disse, na terça-feira (1º/4), a alemã Ursula von der Leyen, a presidente da Comissão Europeia, o braço executivo do bloco. “Mas, se necessário, temos um plano sólido para retaliar e vamos usá-lo.”
Alvo na tecnologia
Von der Leyen observou que a Europa é forte não só no comércio, mas em tecnologia, sugerindo a importância do mercado europeu para as grandes empresas desse setor nos EUA, que poderiam ser atingidas pelas retaliações.
Além disso, a UE havia dito anteriormente que prepara contramedidas de até 26 bilhões de euros (ou cerca de US$ 28 bilhões) para atingir produtos americanos, como resultado das tarifas já anunciadas sobre aço e alumínio.
Projeto de lei no Brasil
No Brasil, o aprovou na terça-feira (1º/4) o projeto de lei que permite ao país responder com sanções comerciais a países que não mantenham uma relação de isonomia econômica. O texto ganhou força com o “tarifaço” de Trump e com eventuais restrições impostas pelo mercado europeu à proteína bovina brasileira e à soja produzida em áreas desmatadas.
Impacto na economia global
Embora os traços do plano de Trump ainda sejam desconhecidos, a Bloomberg Economics acredita que o conjunto de tarifas pode ter um impacto negativo de 4% no PIB dos EUA em um período de dois a três anos, além de um aumento de 2,5% nos preços.
A perspectiva de uma escalada na guerra comercial no “pós-Dia da Independência” fez com que o Goldman Sachs aumentasse, na segunda-feira (31/3), a probabilidade de recessão na economia dos Estados Unidos nos próximos doze meses. Ela estava sendo estimada em 20% e, agora, bateu nos 35%.
Por: Metrópoles