O Instituto Antônio Ernesto de Salvo (Inaes) apresentou oficialmente nesta terça-feira (9), em Belo Horizonte, seu Planejamento Estratégico para o período de 2026 a 2030. O encontro marcou o reposicionamento institucional da entidade, que passa a atuar de forma consolidada como o braço de inteligência, inovação e sustentabilidade econômica do Sistema Faemg Senar.
O grande destaque do novo ciclo é o lançamento da Rede do Agro, o programa de compras coletivas de insumos do instituto que passou por um processo de rebranding e digitalização. A meta para os próximos 12 meses projeta movimentar mais de R$ 10 milhões em insumos, voltados para a agricultura e a pecuária, gerando uma economia estimada em R$ 1,3 milhão diretamente no bolso dos produtores participantes.
Fundado originalmente por sindicatos rurais, o Inaes vinha operando de forma pulverizada e, por vezes, à margem da engrenagem principal da federação. O novo planejamento nasce para corrigir esse rumo, respondendo às exigências climáticas, tecnológicas e comerciais do campo.
"O Inaes é uma rede de integração que liga os sindicatos de produtores rurais, a Federação da Agricultura e o Senar, fazendo a parte comercial e de apoio. Ele é fundamental no ecossistema, mas ficava um pouco de lado. Fizemos um trabalho de integração da casa. A importância dele é econômica, de fortalecimento das instituições, da classe produtora, de inovação e pesquisa", explicou Renato Laguardia, vice-presidente do Sistema Faemg Senar e presidente do Inaes.
A engrenagem da Rede do Agro — que substitui o antigo formato de "Compras Estratégicas" após um hiato contratual — utiliza a capilaridade dos 401 sindicatos de produtores rurais de Minas Gerais para mobilizar a base.
De acordo com o gerente executivo do Inaes, Bruno Rocha, a metodologia é focada em duas frentes: encurtamento da cadeia logística (negociando direto com indústrias e fábricas) e ganho de escala. Ao agrupar os pedidos de pequenos e médios produtores, o instituto consegue obter preços competitivos que, isoladamente, apenas os grandes players de mercado alcançariam.
"A economia é evidente. Sabemos o quanto é difícil sobreviver em algumas atividades produtivas, como a pecuária de leite, onde a margem é muito pequena", pontuou Rocha. O gerente executivo enfatizou que, como o preço final das commodities é definido de forma soberana pelo mercado internacional, o controle real do produtor reside na porteira para dentro. "Cabe ao produtor trabalhar o seu custo de produção. Ter uma boa assistência técnica aliada a comprar bem os seus insumos é o que vai mantê-lo na atividade e fazê-lo prosperar."
Além da mudança de nome e estratégia comercial, o mês de junho marca o início da digitalização completa desse sistema de compras, um objetivo de governança local que vinha sendo desenhado há pouco mais de um ano.
Com o Planejamento Estratégico 2026–2030, o Inaes pretende conectar inovação, fomento e mercado — pilares que antes operavam de maneira dispersa —, oferecendo respostas mais rápidas e conectadas à realidade de transformação digital e sustentável do agronegócio mineiro.





