• Domingo, 15 de março de 2026

Ibama apreende 550 cabeças de gado em operação e volta a reacender debate sobre ações

Fiscalização realizada na Ilha do Bananal mobilizou agentes ambientais, Polícia Militar Ambiental e apoio aéreo para combater a criação irregular de bovinos dentro da Terra Indígena Parque do Araguaia, uma das áreas mais sensíveis do país em biodiversidade e proteção territorial.

Fiscalização realizada na Ilha do Bananal mobilizou agentes ambientais, Polícia Militar Ambiental e apoio aéreo para combater a criação irregular de bovinos dentro da Terra Indígena Parque do Araguaia, uma das áreas mais sensíveis do país em biodiversidade e proteção territorial. Entre os dias 2 e 7 de março de 2026, uma operação coordenada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) resultou na apreensão de 550 cabeças de gado criadas irregularmente dentro da Terra Indígena Parque do Araguaia, no estado do Tocantins. A ação contou com o apoio do Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA) e incluiu operações terrestres e aéreas na região da Ilha do Bananal, considerada a maior ilha fluvial do mundo. A iniciativa faz parte de um esforço para coibir a ocupação irregular e a expansão ilegal da pecuária em áreas protegidas, um problema que preocupa autoridades ambientais e órgãos de fiscalização devido aos impactos ecológicos e sociais associados.
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  • Operação fiscalizou dezenas de retiros na região Durante a ação, denominada Operação Ilha do Bananal, as equipes realizaram incursões em 36 retiros utilizados para criação de gado, muitos deles instalados dentro da área protegida. A operação contou com apoio de helicóptero, o que permitiu ampliar a cobertura da fiscalização em uma região de difícil acesso. window._taboola = window._taboola || []; _taboola.push({mode:'thumbnails-mid', container:'taboola-mid-article-thumbnails', placement:'Mid Article Thumbnails', target_type: 'mix'});Como resultado das inspeções, 550 bovinos foram apreendidos, todos identificados como pertencentes a sistemas de criação considerados irregulares dentro da terra indígena. Segundo as autoridades ambientais, esta foi a primeira operação desse tipo realizada na região, executada em cumprimento a uma decisão do Ministério Público que determinou a retirada de rebanhos criados ilegalmente dentro de áreas protegidas da Ilha do Bananal. Pecuária irregular ameaça biodiversidade e recursos naturais A presença de rebanhos bovinos em áreas protegidas representa um risco significativo para o equilíbrio ambiental. De acordo com o Ibama, a expansão irregular da pecuária pode provocar desmatamento, degradação de habitats naturais e pressão sobre os recursos hídricos, além de favorecer processos de erosão e perda da fertilidade do solo. Entre os principais impactos ambientais apontados estão:
  • Conversão irregular de vegetação nativa para pastagens
  • Comprometimento da biodiversidade local
  • Assoreamento e degradação de cursos d’água
  • Perda de qualidade e fertilidade do solo
  • Esse tipo de ocupação irregular também representa uma ameaça aos territórios tradicionalmente ocupados por povos indígenas.
    Equipes do Ibama e do Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA) combateram criação irregular de gado na Ilha do Bananal – Foto: divulgação/Ibama
    Ilha do Bananal: área estratégica entre Amazônia e Cerrado A operação ocorreu na Ilha do Bananal, localizada entre os rios Araguaia e Javaés, no estado do Tocantins. Com aproximadamente 20 mil quilômetros quadrados, a região é reconhecida oficialmente como a maior ilha fluvial do planeta. Além da dimensão geográfica, a ilha possui enorme relevância ambiental e cultural. Trata-se de uma área de transição entre dois dos biomas mais importantes da América do Sul — Amazônia e Cerrado — concentrando uma elevada diversidade de espécies animais e vegetais. O território abriga também o Parque Nacional do Araguaia e diversas terras indígenas, onde vivem povos tradicionais como Javaé e Karajá, comunidades que mantêm forte relação cultural e histórica com a região. Destinação do gado apreendido O destino das 550 cabeças de gado apreendidas pelo Ibama será definido de acordo com a legislação ambiental brasileira. Entre as possibilidades previstas estão destinação a órgãos públicos ou doação para entidades de interesse social, dependendo das determinações legais aplicáveis ao caso. Segundo o Ibama, ações desse tipo reforçam a estratégia do governo de intensificar o combate a ilícitos ambientais em áreas sensíveis, além de proteger territórios de alta relevância ecológica e sociocultural. Fiscalização deve continuar na região Autoridades ambientais indicam que novas operações podem ocorrer no futuro, já que a pressão sobre áreas protegidas continua sendo um desafio permanente no Brasil, especialmente em regiões de fronteira agrícola. A Ilha do Bananal, por sua importância ambiental e pela presença de territórios indígenas, permanece como uma das áreas prioritárias para ações de fiscalização e monitoramento ambiental.
    Por: Redação

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