A IA (inteligência artificial) pode ser considerada o tema central do novo PQN (Plano Quinquenal Nacional) da China para o período 2026-2030. O termo “inteligência artificial” é mencionado ao menos 42 vezes ao longo das 141 páginas do documento, sinal da importância que o governo chinês dá ao desenvolvimento dessa tecnologia para o futuro do país.
O PQN é um documento que apresenta os objetivos do PCCh (Partido Comunista da China) para os próximos 5 anos. Seu conteúdo é composto por linhas gerais desses objetivos e apresenta poucos cronogramas objetivos. É a consolidação de políticas de longo e médio prazo que já estão em movimento. Eis a íntegra do documento traduzido para o português (PDF – 5 MB).
A espinha dorsal do plano de integração da IA na vida chinesa foi apresentado no final de agosto do ano passado. A chamada “AI Plus” é uma série de diretrizes propostas pelo Conselho de Estado da China, em que o governo definiu como implementar a tecnologia. O principal objetivo traçado é a penetração de terminais inteligentes e agentes de IA em 70% das empresas dos principais setores econômicos até 2027. A meta fica ainda mais ambiciosa para 2030, quando 90% do setor econômico chinês deverá contar com o uso intensivo de IA.
Na semana passada, o chefe da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, Zheng Shanjie, declarou a jornalistas no Congresso chinês que o setor de IA da China deverá atingir um valor superior a 10 trilhões de yuans (US$ 1,45 trilhão) em 2030.
No PQN, o PCCh consolidou sua posição de que a China deve “ocupar a posição dominante na aplicação industrial da inteligência artificial e capacitar todas as indústrias de forma abrangente”. Na proposta de orçamento de 2026 enviada ao Congresso chinês, o PCCH propôs ampliar os recursos para ciência e tecnologia em 10% em comparação a 2025.
O 1º passo dessa revolução tecnológica é na educação. Além de tornar a IA uma ferramenta fundamental nas disciplinas das faculdades, o documento coloca o desenvolvimento de modelos voltados ao ensino como companheiros de estudo inteligentes e professores de IA como uma prioridade.
Outra área que o governo chinês quer uma aceleração da implantação de IA é na saúde. A ideia é “impulsionar de forma ordenada a aplicação de tecnologias digitais inteligentes em cenários como diagnóstico e tratamento auxiliados, medicina de precisão, gestão da saúde, serviços de seguro de saúde e assistência a idosos e pessoas com deficiência”.
Entre outros usos da IA mencionados no documento estão:
Um dos temas centrais nos debates sobre o avanço da IA é o que fazer com a massa de trabalhadores que serão substituídos por máquinas nas linhas de produção das fábricas e nas empresas de forma geral.
Na China, já existem fábricas 100% automatizadas que produzem celulares e painéis solares 24h por dia sem qualquer presença humana.
O PQN chinês aborda esse tema, mas não dá detalhes. O que o governo promete é estabelecer um mecanismo ágil de pesquisa e resposta aos impactos da IA no mercado de trabalho, visando a um mínimo de estabilidade nos postos de trabalho. Também define que será montada uma rede de realocação e capacitação para esses trabalhadores que percam seus empregos.
O PCCH promete “enfrentar de forma abrangente os impactos das mudanças no ambiente externo e do desenvolvimento de novas tecnologias, como a inteligência artificial, no emprego”.





