• Terça-feira, 23 de julho de 2024

Hospital de Kiev pode ter sido atingido diretamente por míssil russo

Missão da ONU aponta "alta probalidade" de ataque direto ao local

Uma missão de direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) disse, nesta terça-feira (9), que há uma "alta probabilidade" de que o principal hospital infantil de Kiev tenha sido atingido diretamente por um míssil russo durante uma série de ataques aéreos a cidades ucranianas, enquanto o Kremlin continua a negar envolvimento. A Ucrânia hasteou suas bandeiras a meio mastro em um dia de luto nacional para marcar a morte de 41 pessoas em todo o país nos ataques aéreos de segunda-feira (8), incluindo quatro crianças e duas pessoas no hospital infantil Okhmatdyt, na capital. "A análise das imagens de vídeo e uma avaliação feita no local do incidente indicam uma alta probabilidade de que o hospital infantil tenha sofrido um ataque direto em vez de receber danos devido a um sistema de interceptação de armas", disse a chefe da Missão de Monitoramento dos Direitos Humanos da ONU na Ucrânia, Danielle Bell. O serviço de segurança da Ucrânia afirmou ter provas inequívocas de que a instalação médica foi atingida por um míssil de cruzeiro russo Kh-101 durante a série de ataques mais letais dos últimos meses e publicou imagens do que disse serem fragmentos da arma. O Kremlin afirmou, sem fornecer provas, que foi fogo antimísseis ucraniano, e não russo, que atingiu o hospital infantil, que é um dos maiores da Europa e trata pacientes com doenças graves, como câncer e doenças renais. Os danos no local geraram milhões de dólares em doações de dentro da Ucrânia e do exterior, mais de 28 meses desde a invasão em grande escala da Rússia em fevereiro de 2022. Nesta terça-feira, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) inicia uma cúpula de três dias dos líderes da aliança em Washington, com a presença do presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy, que busca obter compromissos dos aliados para reforçar as defesas aéreas da Ucrânia e aumentar seu apoio militar. As forças russas, que estão avançando lentamente, reivindicaram hoje a captura da vila de Yasnobrodivka, na região de Donetsk. Não houve comentários imediatos por parte da Ucrânia, que há meses vem registrando fortes combates na região. Durante uma visita a Moscou, o primeiro-ministro indiano Narendra Modi disse ao presidente russo Vladimir Putin que o "coração sangra" quando crianças são mortas em guerras, conflitos ou ataques terroristas. A observação incisiva de Modi foi uma repreensão implícita a Putin, que momentos antes o havia recebido no Kremlin com uma declaração calorosa sobre a importância dos laços estratégicos entre os dois países. Zelenskiy criticou a viagem de Modi à Rússia, chamando-a de "uma enorme decepção e um golpe devastador para os esforços de paz". O líder ucraniano prometeu retaliação contra a Rússia após os ataques de segunda-feira, e o Ministério da Defesa da Rússia disse posteriormente que abateu 38 drones. Um governador regional russo relatou incêndios em um depósito de petróleo e em uma subestação de eletricidade. Uma fonte de segurança disse à Reuters que drones ucranianos atacaram uma refinaria de petróleo russa, um campo de aviação militar e uma subestação de eletricidade em uma operação conjunta. *É proibida a reprodução deste conteúdo

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