• Quarta-feira, 18 de março de 2026

Governo encerra maior conflito fundiário urbano do país, diz ministra

Acordo citado por Esther Dweck beneficia cerca de 4.000 famílias após anos de disputa judicial. Leia no Podere360.

A ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), Esther Dweck, afirmou que o governo federal está encerrando um dos maiores conflitos fundiários urbanos já judicializados no Brasil, com a regularização de uma área de cerca de 280 hectares em Teresópolis (RJ). 

O acordo beneficia cerca de 4.000 famílias e põe fim a uma disputa iniciada em 2005 e judicializada em 2017. As declarações foram dadas nesta 5ª feira (5.fev.2026) em reunião no Palácio do Planalto.

Segundo a ministra, a solução foi viabilizada por um acordo firmado em 2025 com participação do TRF-2 (Tribunal Regional Federal da 2ª Região), da SPU (Secretaria do Patrimônio da União), do MGI e da prefeitura de Teresópolis. A área era considerada a mais complexa dentro do programa federal de regularização fundiária. Agora, o processo de titulação das famílias poderá ser iniciado.

Esther afirmou que a regularização fundiária em terrenos da União é uma das prioridades do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no 3º mandato. Segundo ela, houve uma integração do MGI com o Ministério das Cidades, que passou a combinar a cessão das áreas federais com recursos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) Periferia Viva para financiar os processos de regularização.

O PAC foi lançado em 2024. O programa visa a melhorar as condições de vida nas periferias urbanas do Brasil, por meio da urbanização de favelas, palafitas e loteamentos informais.

O ministro das Cidades, Jader Filho, declarou que o combate ao déficit habitacional não se limita à construção de novas moradias, mas inclui a titulação de famílias que vivem há décadas em áreas públicas sem segurança jurídica. Afirmou que há mais de R$ 500 milhões destinados exclusivamente à regularização fundiária. 

“Este governo não vai desalojar nenhuma família. Pelo contrário, nós vamos regularizar, legalizar e garantir dignidade e segurança para as famílias brasileiras”, disse.

Segundo Jader, a iniciativa iniciada em Teresópolis será ampliada para outros Estados. 

A ministra disse que a prefeitura ficará responsável pelo desmembramento da área, registro em cartório e emissão dos títulos de propriedade, com acompanhamento do governo federal. A expectativa é que os primeiros títulos sejam entregues em até 3 meses, beneficiando comunidades como Quinta Lebrão, Fonte Santa e Álvaro Paná, onde vivem cerca de 35.000 pessoas.

“A gente vai ter duas assinaturas que é justamente esse acordo com a prefeitura, onde a gente passa o terreno para a prefeitura com a obrigação de fazer o processo de desmembramento e, depois, junto com os cartórios conseguir regularizar e passar os títulos para as famílias. A gente vai acompanhar muito de perto, estaremos juntos lá”, afirmou. 

O prefeito de Teresópolis, Leonardo Vasconcellos (União Brasil-RJ), afirmou que o acordo encerra décadas de insegurança jurídica para pessoas que, até agora, viviam sob risco de remoção e incerteza quanto à posse dos imóveis.

“Seguramente mais de 35.000 pessoas viviam da incerteza. Construíam, mas não sabiam se poderiam ficar. Não tem preço transformar uma casa em herança para filhos e netos”, disse.

Já o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou que o governo promove uma transformação estrutural na cidade, com ações que vão além da regularização fundiária. Segundo ele, o município passa a receber investimentos históricos em educação, infraestrutura e prevenção de desastres naturais, áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento regional. É uma conquista para cidade, não é uma conquista de um partido, é uma conquista do estado”, disse.

Esther Dweck também citou a aprovação da Lei 15.343 que permite a transferência para a SPU de imóveis ociosos do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Segundo ela, a medida vai acelerar processos de regularização fundiária e evitar que imóveis da União permaneçam desocupados.

A norma permite que os imóveis sejam destinados a serviços de saúde, educação, cultura, assistência social, moradia e ações de preservação ambiental e combate às mudanças climáticas. Também contempla áreas ocupadas por famílias de baixa renda e imóveis já utilizados por órgãos federais. 

A ministra afirmou que o governo já identificou ao menos 1.000 imóveis federais ociosos, muitos em situação semelhante à da Quinta Lebrão. “A gente vai acelerar esse processo de regularização, como o senhor [presidente Lula] me pediu, de não deixar nada, nenhum imóvel da União, desocupado”, afirmou.

Morador da região e ex-presidente da associação de moradores da Quinta Lebrão, Mestre Bimbinho disse que a titulação representa o reconhecimento histórico de famílias que vivem na área desde o início do século 20. Para ele, o medo de perder as moradias marcou gerações de moradores. “Eu esperei estar vivo para ver a Quinta Lebrão com o título de propriedade na mão. Agora, posso dizer que sou dono dessa terra”, disse Mestre.

Por: Poder360

Artigos Relacionados: