O governo federal convocou para a manhã desta terça-feira (2) uma reunião de emergência para discutir possíveis medidas diante da recomendação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) de impor uma tarifa de 25% sobre todas as importações brasileiras.
O encontro acontece na Vice-Presidência da República, no Palácio do Planalto, e reunirá integrantes da equipe econômica, da articulação política e da comunicação do governo. A avaliação é de que a proposta norte-americana pode provocar impactos relevantes sobre as exportações brasileiras e exigir uma resposta coordenada do Palácio do Planalto.
Entre os participantes previstos estão o ministro da Fazenda, Dario Durigan; o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Marcio Elias; o secretário-executivo do Ministério do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti; o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães; e o ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira.
A recomendação do USTR ocorre em meio a uma série de questionamentos do governo norte-americano a políticas adotadas pelo Brasil. Entre os temas levantados pelos Estados Unidos estão regras para plataformas digitais, propriedade intelectual, barreiras comerciais e o sistema de pagamentos instantâneos Pix, desenvolvido pelo Banco Central. Autoridades americanas e representantes de empresas de tecnologia e meios de pagamento argumentam que o modelo brasileiro pode gerar distorções concorrenciais no mercado financeiro.
A reunião desta terça-feira deve definir os próximos passos da estratégia brasileira, incluindo eventuais ações diplomáticas, articulação com o setor produtivo e medidas de defesa comercial. O governo trabalha com a expectativa de construir uma solução negociada antes da eventual implementação das tarifas pelos Estados Unidos
O USTR abriu uma fase de consulta pública que vai até 1º de julho, com uma audiência marcada para 6 de julho. Depois disso, o governo dos Estados Unidos terá até 15 de julho de 2026 para decidir sobre a implementação da medida.
Na prática, isso significa que o governo brasileiro tem pouco mais de um mês para tentar negociar uma solução diplomática e evitar o chamado "tarifaço".
A nova recomendação prevê uma tarifa de 25% sobre uma ampla gama de produtos brasileiros, mas com exceções importantes, como café, carne bovina, petróleo, terras raras e peças aeronáuticas.





