• Terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Galípolo assina nota em apoio ao chefe do Fed, investigado nos EUA

Investigação apura se Jerome Powell, que já foi alvo de críticas de Trump, prestou informações falsas ao Congresso.

Presidentes e dirigentes de 11 bancos centrais, entre eles Gabriel Galípolo, do Banco Central do Brasil, divulgaram uma nota conjunta de apoio ao presidente do Fed (Federal Reserve), Jerome Powell, após a abertura de uma investigação criminal pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

O posicionamento foi divulgado depois que o Departamento de Justiça dos EUA confirmou a apuração contra Powell. No texto, os signatários afirmam “plena solidariedade” ao sistema do Fed e ao seu presidente e alertam que iniciativas que fragilizem a independência dos bancos centrais colocam em risco a estabilidade de preços, financeira e econômica.

Segundo a nota, a independência das autoridades monetárias é “um pilar” do funcionamento das economias e deve ser preservada com respeito ao Estado de Direito e à responsabilidade democrática. Os dirigentes também dizem que Powell “serve com integridade”, mantendo foco no mandato institucional e compromisso com o interesse público, e o descrevem como colega respeitado.

A carta é assinada por:

A nota ressalta que a preservação da autonomia dos bancos centrais é condição para a confiança pública e para o cumprimento dos mandatos legais dessas instituições.

Eis a íntegra da nota:

Segundo o The New York Times, a investigação foi aberta pelo gabinete do procurador dos EUA no Distrito de Colúmbia e apura se Powell prestou informações falsas ao Congresso ao tratar do escopo e dos custos da reforma. De acordo com o jornal, a apuração inclui a análise de declarações públicas do presidente do Fed e de registros de gastos relacionados à obra, estimada em US$ 2,5 bilhões, cerca de R$ 13,4 bilhões no câmbio atual.

O New York Times também relata que congressistas de ambos os partidos questionaram a medida e alertaram para possíveis impactos institucionais. Segundo a reportagem, o caso intensifica o embate entre o presidente Donald Trump (Partido Republicano) e Powell, marcado por críticas recorrentes à condução da política monetária e à resistência do Fed em promover cortes mais agressivos na taxa de juros.

O presidente dos EUA chegou a ameaçar a demissão de Powell, embora o mandato dele à frente do banco central termine apenas em maio de 2026, com permanência no Conselho de Governadores até 2028.

Em comunicado do Fed, Powell classificou a iniciativa como “sem precedentes” nos EUA. Segundo ele, a investigação não diz respeito ao mérito da reforma nem ao papel de fiscalização do Congresso, mas seria consequência da atuação independente do Fed na definição das taxas de juros, “com base no que melhor atende ao interesse público, e não às preferências do presidente”.

Os últimos 3 presidentes do Fed também criticaram a investigação.

Por: Poder360

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