O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) classificou como “exótica” e “contraditória” a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que concedeu prisão domiciliar humanitária por 90 dias a seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em entrevista à GloboNews nesta 3ª feira (24.mar.2026), o congressista questionou a natureza temporária da medida, argumentando que o retorno à prisão após uma eventual melhora seria incompatível com o propósito da decisão.
“É uma inovação: uma prisão domiciliar humanitária provisória. Se ele está indo para casa porque o quadro pode se agravar, quer dizer que, se melhorar, ele tem condições de voltar para onde a saúde estava piorando? É uma coisa que não consegui compreender“, afirmou.
Flávio declarou que a família deve providenciar assistência de enfermagem ou médica permanente na residência para acompanhar o ex-presidente. A preocupação central, segundo ele, é evitar novos acidentes decorrentes de “quadros de desequilíbrio” ou efeitos colaterais de remédios para refluxo, que podem causar quedas ou broncoaspiração fatal.
O senador confirmou que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro estará com o marido permanentemente, o que ajudaria a identificar problemas de saúde de forma ágil, diferentemente do isolamento que ele enfrentava na carceragem.
Ao descrever o período em que Bolsonaro esteve na Superintendência da PF antes de ir para o 19º Batalhão da PM (Papudinha), Flávio relatou condições que chamou de “totalmente inadequadas”: cela pequena e ambiente “cercado de muros brancos, sem uma planta, uma flor, com um zumbido de ar-condicionado infernal”.
O senador destacou que o quadro mental do ex-presidente tende a piorar no isolamento e que a ida para casa é um caminho para atenuar esse risco.
Questionado sobre a aparente contradição entre o discurso do PL contra os direitos humanos e o pedido de tratamento humanitário para Bolsonaro, o senador negou qualquer inconsistência. Para ele, o processo é “político” e o resultado já era conhecido “por quem o julgaria”. “Ele foi julgado e condenado pelos seus inimigos. Uma pessoa inocente condenada porque não queriam mais ele disputando uma eleição”, declarou.





