O setor pecuário brasileiro vive um momento de forte expansão no mercado internacional. No primeiro quadrimestre de 2026, o Brasil já ultrapassou a marca histórica de 1,091 milhão de toneladas de carne bovina exportadas, o que representa um crescimento de 14,6% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Apenas no mês de abril, os embarques somaram 288,7 mil toneladas — uma alta de 5,3% na comparação anual e de 6,6% frente a março deste ano. O faturamento acompanhou o ritmo acelerado, atingindo US$ 1,719 bilhão no mês, um salto expressivo de 29,1% em relação a abril de 2025.
A China consolida-se, de forma isolada, como o principal parceiro comercial da proteína brasileira. Em abril, o gigante asiático importou 138,9 mil toneladas, sendo responsável por quase metade (48,1%) de todo o volume exportado pelo Brasil.
Os Estados Unidos mantêm o posto de segundo maior destino, com 42,4 mil toneladas embarcadas apenas no último mês. Confira os principais destinos em abril:
A carne in natura continua sendo o carro-chefe das vendas externas, representando 87,3% do volume total.
Os dados compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), com base em registros do MDIC, mostram um cenário de faturamento robusto para o ano. A receita total acumulada até abril chegou a US$ 6,047 bilhões, uma alta de 32,8% frente a 2025.
Vale lembrar que o governo da China anunciou, neste domingo (10), que as importações de carne bovina do Brasil já atingiram 50% da cota anual prevista no mecanismo de salvaguarda para 2026. A marca, alcançada oficialmente no sábado (9), acende um alerta para os exportadores brasileiros: assim que o volume total de 1,1 milhão de toneladas for preenchido, o produto nacional passará a sofrer uma tarifa extra de 55%.
Apesar do crescimento global, o cenário geopolítico no Oriente Médio refletiu diretamente nos números de abril. Mercados importantes da região apresentaram quedas acentuadas tanto na comparação mensal quanto anual.
Os Emirados Árabes Unidos registraram a maior retração, com queda de 80,7% no volume comprado em relação a março, despencando de 3.147 toneladas para apenas 606 toneladas. A Turquia (-58,9%) e a Líbia (-57,9%) também reduziram drasticamente suas importações no período.
Já o Egito, embora tenha importado menos do que em março (-10,8%), ainda manteve um volume superior ao registrado em abril do ano passado, consolidando-se como um comprador resiliente em meio à instabilidade regional.





