O governo dos Estados Unidos decidiu apertar o cerco contra o chamado turismo de nascimento, prática em que estrangeiras viajam ao país com o objetivo de dar à luz e garantir cidadania americana aos filhos. A nova ofensiva mira, principalmente, redes suspeitas de orientar gestantes a fornecer informações falsas durante o processo de solicitação de visto.
De acordo com informações reveladas pela agência Reuters, um comunicado interno, enviado pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos EUA (ICE), determinou que agentes em todo o país passem a priorizar investigações relacionadas ao tema. A medida faz parte de uma estratégia denominada "Iniciativa de Turismo de Nascimento", que busca identificar e desmontar possíveis esquemas fraudulentos.
No documento, a área de investigações de segurança interna da agência afirma que pretende proteger a integridade dos sistemas migratórios dos EUA. O foco está em práticas ilegais ligadas a fraudes, crimes financeiros e organizações que exploram brechas em processos legais de imigração.
A iniciativa se insere em um contexto mais amplo de endurecimento das políticas migratórias desde o início do novo mandato de Trump, em janeiro de 2025. A administração republicana tem usado o tema como argumento para defender mudanças nas regras de concessão de cidadania automática a crianças nascidas em território americano.
Em posicionamento oficial, a Casa Branca afirmou que o turismo de nascimento gera custos elevados aos contribuintes e levanta preocupações de segurança nacional. O governo também destacou que a maioria dos países não adota o princípio de cidadania automática pelo local de nascimento.
Já o Departamento de Segurança Interna dos EUA evitou comentar investigações específicas em andamento. Em nota, a pasta reforçou que dar à luz nos Estados Unidos não é ilegal, mas ressaltou que autoridades seguem atentas a possíveis violações da legislação federal associadas à prática.
Atualmente, não existe uma lei que proíba explicitamente o turismo de nascimento. No entanto, uma regulamentação adotada em 2020 restringe a concessão de vistos de turismo e negócios quando há indícios de que a viagem tem como objetivo principal garantir cidadania a um recém-nascido. Casos que envolvam fraude podem resultar em processos judiciais.
Apesar da repercussão do tema, não há dados oficiais sobre o número de estrangeiras que viajam aos EUA com essa finalidade. Estimativas do Center for Immigration Studies indicam que entre 20 mil e 25 mil mulheres podem ter recorrido à prática em um único ano entre 2016 e 2017.
Mesmo assim, especialistas apontam que o número representa apenas uma pequena parcela dos cerca de 3,6 milhões de nascimentos registrados no país em 2025, o que sugere que o fenômeno, embora relevante no debate político, ainda é minoritário no total de partos.





