• Domingo, 22 de fevereiro de 2026

Estudos elevam ultraprocessados a um dos maiores riscos à saúde global

Pesquisadores apontam o avanço dos ultraprocessados no mundo, relacionam consumo ao aumento do câncer e defendem ações para conter o setor

O debate sobre as ameaças que representa ganhou novo peso após  nessa terça-feira (18/11). Pesquisadores de todo o mundo, liderados pelo nutricionista brasileiro Carlos Monteiro, elaboraram estudos que relacionaram o avanço desses produtos ao aumento global de doenças crônicas, especialmente do câncer, e pediram ações rápidas. “É hora de priorizar a saúde em vez do lucro”, afirma o título da revista científica. Os ultraprocessados são alimentos que contêm aditivos (aromatizantes artificiais, corantes), grandes quantidades de açúcar, gordura ou sal e baixas quantidades de compostos de origem animal ou vegetal. “O crescente consumo de alimentos ultraprocessados ​​está remodelando as dietas em todo o mundo. Essa mudança nos hábitos alimentares é impulsionada por poderosas corporações globais que geram lucros enormes priorizando produtos ultraprocessados e que impedem sistematicamente políticas de saúde pública eficazes que promovam uma alimentação mais saudável”, afirmou Monteiro, da Universidade de São Paulo (USP), em divulgação à imprensa. Na série da The Lancet, a equipe revisou dados de múltiplos estudos que apontam associação entre dietas ricas em ultraprocessados e o maior risco de obesidade, diabetes, doenças cardíacas e morte prematura. Uma pesquisa , por exemplo, indicou que mulheres que seguiam uma dieta rica em alimentos industrializados tinham maior risco de câncer de intestino. Leia também A investigação feita no Mass General Brigham Cancer Institute, dos Estados Unidos, aponta que mulheres , segundo seus próprios relatos, tinham uma probabilidade 45% maior de ter pólipos na região colorretal (lesões que muitas vezes são a origem dos tumores) em relação a mulheres da mesma faixa etária que limitavam o consumo de ultraprocessados a menos que três porções por dia. Para os pesquisadores envolvidos em todas essas investigações, a relação entre os alimentos e as doenças está no fato de que ultraprocessados têm maior densidade calórica, grande quantidade de aditivos químicos e combinação de ingredientes que estimulam ingestão excessiva. Exemplo disso são os realçadores de apetite, que induzem as pessoas a consumirem porções maiores do que as indicadas nas embalagens. 4 imagens Esses alimentos prejudicam a saúde por conter ingredientes danosos, como corantes, conservantes e aromatizantesDoces e refrigerantes são alguns exemplos de alimentos ultraprocessados com muito açúcarAlimentos ultraprocessados são considerados os "vilões" da saúdeFechar modal. 1 de 4 Os alimentos ultraprocessados fazem parte da rotina das crianças e adolescentes Getty Images 2 de 4 Esses alimentos prejudicam a saúde por conter ingredientes danosos, como corantes, conservantes e aromatizantes A_namenko/Getty Images 3 de 4 Doces e refrigerantes são alguns exemplos de alimentos ultraprocessados com muito açúcar Happy_lark/Getty Images 4 de 4 Alimentos ultraprocessados são considerados os "vilões" da saúde Getty Images Restrições para os ultraprocessados O conceito de ultraprocessados foi cunhado por Carlos Monteiro em um sistema conhecido como “classificação nova”. Na revista The Lancet, ele amplia os seus quesitos e destaca que . O apelo inclui a obrigação de criar rótulos mais claros sobre os componentes que eles contêm e também a restrição de publicidade voltada a crianças. Os autores defenderam impostos sobre produtos ultraprocessados para financiar subsídios destinados a incentivar a alimentação com produtos frescos. A proposta inclui ainda o reforço de programas públicos de alimentação, como o de distribuição de merendas nas escolas em que devem ser limitadas as ofertas de produtos industrializados. O estudo também pediu novos rótulos frontais com identificação de ingredientes típicos de ultraprocessados, como corantes e aromatizantes. Outra recomendação é restringir a presença desses produtos em ambientes públicos, especialmente escolas e hospitais. Pressão internacional e caminhos futuros As pesquisas destacaram ainda a necessidade de proteger políticas públicas da influência empresarial. Segundo o grupo, corporações pressionam reguladores em países de todo o mundo para dificultar a formulação de rótulos mais claros e a limitação de uso de ingredientes químicos. Os estudos indicam que as vendas anuais das oito empresas que mais produzem ultraprocessados no mundo (Nestlé, PepsiCo, Unilever, Coca-Cola, Danone, Fomento Econômico Mexicano, Mondelez e Kraft Heinz) superam um trilhão de dólares ao ano, maior que o PIB de toda a região Sudeste do Brasil. Pesquisadores afirmaram que a dinâmica atual se assemelha à enfrentada em políticas de controle do tabaco, por isso convocam os países a responder de forma coordenada contra a influência corporativa em nome da saúde global. “Enfrentar esse desafio exige que os governos intensifiquem seus esforços e implementem ações políticas ousadas e coordenadas, desde a inclusão de marcadores de alimentos ultraprocessados ​ nos rótulos frontais das embalagens até a restrição da comercialização e a implementação de impostos sobre esses produtos para financiar um maior acesso a alimentos nutritivos”, resumiu a professora Camila Corvalan, da Universidade do Chile. Siga a editoria de e fique por dentro de tudo sobre o assunto!
Por: Metrópoles

Artigos Relacionados: