Pesquisadores da Universidade de Nanyang, em Singapura, identificaram um sinal precoce inédito e que pode ser observado por meio de exames de ressonância magnética utilizados na prática clínica comum.
O achado envolve dilatações em canais responsáveis pela drenagem de resíduos no cérebro (EPVS, na sigla em inglês), alteração que surge antes de sintomas clássicos, Esses bloqueios aparecem antes do acúmulo de proteínas tóxicas associadas ao declínio cognitivo, geralmente usado como
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Em parte dos casos analisados no estudo em setembro, a alteração antecede marcadores cerebrais amplamente empregados no diagnóstico. A descoberta aponta possibilidade de identificação antecipada da doença, etapa considerada decisiva para reduzir danos irreversíveis ao tecido cerebral.
O problema acaba levando o cérebro a Os canais afetados recebem o nome de espaços perivasculares dilatados. A dilatação EPVS, ao contrário do que é de se esperar, leva a um prejuízo no fluxo de limpeza do cérebro, com a troca de líquidos ocorrendo mais lentamente e favorecendo os acúmulos.
“Como essas anomalias cerebrais podem ser identificadas visualmente em exames de ressonância, identificá-las poderia complementar os métodos existentes para detectar o Alzheimer precocemente, sem a necessidade de exames adicionais que costumam ser invasivos”, disse o médico Nagaendran Kandiah, líder do estudo.
Identificador demorou a ser achado por falta de asiáticos na pesquisa
Para os pesquisadores, um aspecto central do estudo envolve o foco em populações asiáticas, o que pode estar por trás da descoberta das dilatações. Pesquisas sobre Alzheimer costumam concentrar dados em grupos de pessoas brancas europeias, o que pode levar a variações ao se pesquisar diferentes etnias.
“Por exemplo, entre caucasianos com demência, estudos anteriores mostram que a prevalência de um importante gene de risco, a apolipoproteína E4, associada ao Alzheimer, é de cerca de 50 a 60%. Mas entre pacientes com demência em Singapura, é inferior a 20%”, disse o professor Kandiah.

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2 de 8 Por ser uma doença que tende a se agravar com o passar dos anos, o diagnóstico precoce é fundamental para retardar o avanço. Portanto, ao apresentar quaisquer sintomas da doença é fundamental consultar um especialista Andrew Brookes/ Getty Images
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3 de 8 Apesar de os sintomas serem mais comuns em pessoas com idade superior a 70 anos, não é incomum se manifestarem em jovens por volta dos 30. Aliás, quando essa manifestação “prematura” acontece, a condição passa a ser denominada Alzheimer precoce Westend61/ Getty Images
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4 de 8 Na fase inicial, uma pessoa com Alzheimer tende a ter alteração na memória e passa a esquecer de coisas simples, tais como: onde guardou as chaves, o que comeu no café da manhã, o nome de alguém ou até a estação do ano urbazon/ Getty Images
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5 de 8 Desorientação, dificuldade para lembrar do endereço onde mora ou o caminho para casa, dificuldades para tomar simples decisões, como planejar o que vai fazer ou comer, por exemplo, também são sinais da manifestação da doença OsakaWayne Studios/ Getty Images
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7 de 8 Segundo pesquisa realizada pela fundação Alzheimer’s Drugs Discovery Foundation (ADDF), a presença de proteínas danificadas (Amilóide e Tau), doenças vasculares, neuroinflamação, falha de energia neural e genética (APOE) podem estar relacionadas com o surgimento da doença Rossella De Berti/ Getty Images
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8 de 8 O tratamento do Alzheimer é feito com uso de medicamentos para diminuir os sintomas da doença, além de ser necessário realizar fisioterapia e estimulação cognitiva. A doença não tem cura e o cuidado deve ser feito até o fim da vida Towfiqu Barbhuiya / EyeEm/ Getty Images
A equipe analisou exames de 957 pessoas residentes em Singapura, pertencentes a diferentes origens étnicas que refletem a composição do país. O grupo incluiu participantes com funções cognitivas preservadas e indivíduos com dificuldades leves de raciocínio. A média de idade dos voluntários foi de 58 anos.
A dilatação foi associada a uma maior incidência de acúmulo de diversas proteínas perigosas associadas à demência. O risco de níveis acima do tolerado de proteína fibrilar ácida glial (GFAP) foi em média 16% maior entre o grupo com problemas vasculares. Os com cadeia leve de neurofilamento (NfL) também foram 16% mais incidentes e a tau 181 fosforilada (p-tau181) ficaram em 8%, sugerindo que a inflamação era mais comum em quem tinha EPVS.
Resultados mostraram maior frequência de espaços perivasculares aumentados entre participantes com comprometimento cognitivo leve. Pesquisas anteriores indicam que esse grupo enfrenta risco elevado de desenvolver Alzheimer ou demência vascular. A associação observada sugere que a obstrução da drenagem cerebral pode surgir antes de outros sinais amplamente utilizados, concluem eles.