O modelo de alta intensidade do agropecuário brasileiro, combinado com a falta de leis específicas e eficazes, coloca em risco as abelhas e outros animais vitais para a reprodução de 95% das plantas silvestres do planeta. Os dados fazem parte de um estudo científico publicado na Neotropical Entomology.
Com o título Pollinator-friendly policies in Brazil: history and future direction (Políticas favoráveis aos polinizadores no Brasil: histórico e direções futuras, em tradução livre), a publicação, assinada por pesquisadores da Embrapa, do Instituto Nacional da Mata Atlântica e Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), apresenta uma revisão detalhada das políticas públicas brasileiras existentes, bem como propostas para a conservação e o uso sustentável de polinizadores silvestres e manejados.
O artigo mostra dados de pesquisas toxicológicas conduzidas nos últimos 15 anos no continente que revelam como as abelhas nativas neotropicais (espécies sem ferrão fundamentais para o equilíbrio das florestas brasileiras) são consideravelmente mais sensíveis aos venenos agrícolas do que a abelha européia ou africanizada (Apis mellifera), que historicamente serve como o único modelo padrão exigido pelas agências reguladoras para os testes de registro de pesticidas. Dados dos autores do artigo mostram os prejuízos a espécies nativas, entre elas a uruçu-nordestina (Melipona scutellaris).
Os cientistas apontam a urgência de estratégias voltadas para a restauração de habitats e para a redução do estresse ambiental causado pelo uso de defensivos agrícolas.
A análise ambiental traz um resumo das principais políticas de conservação da natureza vigentes no país, com destaque para a Lei de Proteção da Vegetação Nativa (o Código Florestal atualizado), além de programas que incentivam a agricultura sustentável.
Por outro lado, os pesquisadores apresentam um panorama preocupante sobre o uso de agroquímicos no Brasil. A revisão aponta os impactos diretos dessas substâncias tanto na saúde humana quanto na sobrevivência dos polinizadores, com foco especial nas abelhas.
Como alternativa para mitigar esses danos, o artigo enfatiza o potencial e as perspectivas do uso de controle biológico nas lavouras.





