• Sábado, 14 de fevereiro de 2026

Estados Unidos têm sinais mistos sobre cortes de juros

Emprego resiliente e inflação branda dividem apostas sobre redução das taxas pelo banco central norte-americano em 2026.

A economia dos Estados Unidos apresenta indicadores divergentes que mantêm a incerteza sobre o ritmo de cortes de juros em 2026. 

Dados recentes mostram mercado de trabalho resiliente em parte dos levantamentos, mas com perda de força em outros, enquanto a inflação ao consumidor ficou abaixo das projeções. A combinação sustenta o debate sobre até onde o Fed (Federal Reserve, banco central norte-americano) poderá reduzir as taxas neste ano.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), anunciou Kevin Warsh como indicado para substituir Jerome Powell na presidência do Fed, apostando em uma redução dos juros. Porém, o reaquecimento da economia norte-americana deve acender um alerta para o Fed.

Dados positivos do mercado de trabalho podem indicar manutenção dos juros no patamar atual, com efeitos sobre a política monetária global, incluindo a brasileira. 

Para Pablo Spyer, conselheiro da Ancord (Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários, Câmbio e Mercadorias), o quadro é ambíguo.

“O Payroll [número de empregos] veio acima do esperado, indicando mercado de trabalho ainda forte. Ao mesmo tempo, a inflação ao consumidor ficou abaixo das projeções, o que reabriu apostas de até 3 cortes de juros ao longo de 2026 pelo Federal Reserve”, afirmou.

Segundo ele, a combinação de atividade robusta com inflação mais branda tende a manter o Fed em postura gradualista, com viés de afrouxamento. Isso melhora as condições financeiras globais e pode ampliar o espaço para cortes em economias emergentes.

Fábio Bentes, economista da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens e Serviços), afirma que o impacto dos Estados Unidos vai além da taxa de juros. Segundo ele, há processo mais amplo de perda relativa do dólar como ativo de referência internacional.

“O melhor exemplo é o que ocorre com o ouro, cuja cotação subiu de forma expressiva nos últimos anos. Parte da valorização do real também se associa a esse movimento internacional do dólar”, afirmou.

Bentes avalia que, no caso brasileiro, a taxa de câmbio em torno de R$ 5,20 a R$ 5,30 reflete tanto a desvalorização global da moeda americana quanto o diferencial de juros.

“Uma taxa de juros real acima de 10% ao ano aumenta a atratividade de ativos brasileiros e favorece entrada de recursos. Sem choques externos relevantes, a tendência é de real mais valorizado, o que ajuda a conter a inflação”, declarou.

Bruno Medeiros Durão, advogado especialista em planejamento tributário, compliance fiscal e reestruturação empresarial, ressalta que há leituras distintas sobre o mercado de trabalho americano.

“A criação de empregos perdeu força em alguns meses, o que poderia justificar cortes. Mas a inflação e a resiliência do consumo ainda limitam o espaço para redução agressiva de juros”, declarou.

Para ele, a postura do Fed condiciona decisões no Brasil.

“Se os EUA mantiverem juros elevados por mais tempo, o Brasil tende a agir com prudência para evitar pressão cambial e inflacionária. O cenário global hoje não favorece movimentos ousados”, disse.

O ambiente norte-americano, portanto, combina sinais que não permitem leitura única. Emprego ainda firme em parte dos dados, inflação mais comportada e consumo resiliente mantêm o Fed em compasso de espera.

Para o Brasil, a trajetória dos juros americanos seguirá como variável para decisões do Banco Central ao longo de 2026.

Por: Poder360

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