Para os praticantes de atividades físicas que já sofreram lesões, muitas vezes, o ciclo interminável de dor vira rotina. A lesão acontece, a dor melhora, o treino é retomado e, repentinamente, o sofrimento ressurge. O ortopedista e traumatologista do esporte, Dr. Bruno Canizares, explica os riscos de tratar o sintoma como o problema geral.
A lógica de que o sumiço da dor é sinônimo de cura é errônea e perigosa. Recuperar não é apenas eliminar o sintoma. É corrigir o que levou a ele.
“A lesão não começa na dor. Ela começa antes, quando o corpo já vinha compensando sobrecargas, perda de controle ou desequilíbrios que passaram despercebidos. Se isso não for corrigido, o sintoma pode desaparecer, mas o problema permanece ativo”, esclarece o especialista.
Respeito pelo tempo de recuperação é essencial
Apesar de parecer trabalhoso, é, sim, possível tratar lesões de maneira melhor ou pior. Cada corpo e cada caso exigem tratamentos diferentes. Ainda que sejam criadas expectativas sobre um prazo de cura, é importante compreender que a qualidade da reabilitação é mais importante do que o tempo gasto no processo.
“Uma lesão bem conduzida respeita etapas: controle de dor, recuperação de mobilidade, ganho de força e reeducação do movimento. Quando alguma dessas fases é negligenciada, o corpo compensa. É nesse ponto que a lesão deixa de ser pontual e passa a ser recorrente”, informa Canizares.
Ausência de dor não significa cura
É comum que a melhora pontual da dor seja confundida com recuperação funcional. Com frequência, a melhora do desconforto é interpretada como licença para retorno ao treino. Este é um dos principais motivos para a continuidade do ciclo incessante de sofrimento.
“O tecido pode tolerar atividades do dia a dia sem dor e, ainda assim, não estar preparado para absorver carga, impacto ou mudanças de direção. Quando o retorno acontece nesse momento, a chance de perpetuar o quadro é alta”, afirma o ortopedista.
Como se recuperar de verdade?
Para os atletas que buscam consistência, é fundamental não apenas eliminar o sintoma, mas também o que o originou.
“Quando o paciente entende a origem da lesão, ele muda a forma como treina, se prepara e se recupera. Isso não só resolve o quadro atual, como reduz de forma relevante o risco de repetição”, finalizou o médico.
Na realidade, o que determina se uma lesão se prolonga não é o diagnóstico, mas sim a maneira que a recuperação é conduzida. Por este motivo, é de extrema importância que a sensação de melhora não seja considerada critério para voltar a praticar o esporte. O real indicador é a capacidade real de suportar a demanda do treino.





