• Domingo, 29 de março de 2026

Em 1 ano, Master vai de compra pelo BRB a acordo de Vorcaro com PF

Instituição foi liquidada, 2 funcionários do BC estão afastados e ex-banqueiro caminha para delação.

Um ano depois do anúncio da compra do Banco Master pelo BRB (Banco de Brasília), o país assiste ao maior escândalo bancário de sua história culminar em um possível acordo de delação premiada que pode atingir os Três Poderes. O fundador Daniel Vorcaro está preso pela 2ª vez desde 4 de março. É investigado por corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos.

Vorcaro firmou em 19 de março de 2026 um termo de confidencialidade com a Polícia Federal e com a PGR (Procuradoria Geral da República) que possibilita a delação premiadaAs ligações do ex-banqueiro podem representar um risco para várias autoridades. Esse acordo foi assinado quase 12 meses depois do anúncio de compra pelo BRB, que tenta se recuperar financeiramente após a operação.

Leia a linha do tempo do caso Master desde 28 de março de 2025:

Leia mais sobre o caso Master:

O Banco Master –em conjunto com o Will Bank e Banco Pleno– foi responsável pelo rombo recorde no FGC (Fundo Garantidor de Crédito), de quase R$ 52 bilhões, mesmo tendo somente 0,57% do ativo total e 0,55% das captações do sistema financeiro nacional. O prejuízo foi maior que o lucro líquido recorrente de cada um dos principais bancos listados na B3 (Bolsa de Valores de São Paulo).

O Banco Master teria vendido títulos podres para o BRB, o que culminou nas investigações e liquidação extrajudicial anunciada em novembro pelo BC (Banco Central). A autoridade monetária enviou um relato ao MPU (Ministério Público da União) em julho com os primeiros detalhes sobre as irregularidades.

O presidente do BC, Gabriel Galípolo, disse que a autoridade monetária teve “dúvidas” em janeiro e obteve evidências” das irregularidades em março de 2025. O diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, declarou que a autoridade monetária só conseguiu ter “certeza” das fraudes em 27 de junho de 2025.

A 1ª operação da Polícia Federal só foi realizada em 18 de novembro de 2025. Vorcaro foi solto em 28 de novembro e preso novamente em 4 de março deste ano, na 2ª fase.

A PF apurou que Vorcaro pagou propina a funcionários do Banco Central para favorecer o Master. Dois foram afastados. Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana são suspeitos de facilitar interesses do Master na autoridade monetária. A CGU (Controladoria-Geral da União) também instaurou processos administrativos disciplinares.

Paulo Sérgio Souza foi diretor de Fiscalização do Banco Central de 2017 a 2023, durante os governos Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (PL), sendo indicado pelos 2 ex-presidentes para o cargo. É alvo de investigações da PF por fornecer informações privilegiadas para Daniel Vorcaro. Belline e Souza atuavam no Desup (Departamento de Supervisão Bancária) e foram afastados dos cargos em 4 de março deste ano.

Galípolo disse que o Banco Central está em momento de “luto” e que o sentimento é de “consternação” pelo caso Master.

A CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado aprovou na 3ª feira (24.mar.2026) um requerimento para retirar o sigilo de uma auditoria do TCU (Tribunal de Contas da União) sobre o Master.

Por: Poder360

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