O candidato de esquerda Roberto Sánchez mantém a liderança na apuração do segundo turno das eleições presidenciais do Peru. Com 95% das urnas contabilizadas, ele aparece com 50,119% dos votos válidos, contra 49,881% da conservadora Keiko Fujimori.
De acordo com os dados divulgados pelo Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), a diferença entre os candidatos segue estreita, o que mantém indefinido o resultado da disputa presidencial.
Sánchez assumiu a dianteira da apuração após uma virada registrada durante a tarde, depois de várias horas em que Keiko liderou a contagem dos votos. O avanço do candidato já era esperado por analistas, uma vez que ele possui forte apoio nas regiões rurais do país, cujos votos costumam ser apurados nas etapas finais do processo.
No primeiro turno, Keiko Fujimori havia sido a candidata mais votada, com 17,2% dos votos válidos. Já Sánchez terminou a primeira fase da eleição com 12% dos votos, em uma disputa que contou com um número recorde de 35 candidatos.
A votação foi encerrada no domingo sem registro de grandes incidentes, em contraste com o primeiro turno, que foi marcado por falhas técnicas e denúncias relacionadas ao processo eleitoral. Enquanto a contagem avança, a expectativa permanece sobre a confirmação oficial do vencedor da eleição presidencial peruana.
Fujimori e Sánchez representam projetos políticos antagônicos. De um lado, Keiko Fujimori, de 51 anos, tenta chegar à Presidência pela quarta vez. Ela é filha do ex-presidente Alberto Fujimori, que governou o Peru entre 1990 e 2000 e busca se beneficiar do legado deixado pelo pai, lembrado por apoiadores pela estabilização econômica e pelo combate aos grupos insurgentes, mas também criticado por violações de direitos humanos e práticas autoritárias.
Do outro lado está Roberto Sánchez, de 57 anos, ex-ministro e congressista que se apresenta como herdeiro político do ex-presidente Pedro Castillo. Castillo foi destituído e preso após tentar dissolver o Congresso em 2022, em uma ação classificada pelas autoridades como tentativa de autogolpe.
As eleições do Peru em 2026 registraram 35 candidatos à presidência no primeiro turno, um número recorde. O processo acontece em um cenário no qual o país registrou 9 presidentes em 10 anos, sendo que os mandatos constitucionais deveriam ser de cinco anos.
Cerca de 27 milhões de peruanos foram convocados para votar. Diferente do primeiro turno realizado no mês de abril — marcado por problemas logísticos e atrasos em algumas regiões — a votação para o segundo turno aconteceu sem incidentes relevantes.





