O padrão climático é conhecido por perturbar os climas regionais, podendo trazer temperaturas mais altas em todo o mundo e, ao mesmo tempo, aumentar as chuvas no sul da América do Sul e nos Estados Unidos, em partes do Chifre da África e na Ásia Central. O El Niño também pode causar secas na Austrália, América Central, Indonésia e partes do sul da Ásia, além de estimular a formação de furacões no Pacífico central e oriental, informou a OMM. O último El Niño, que os meteorologistas disseram ter sido forte, entre 2023 e 2024, contribuiu para tornar 2024 o ano mais quente já registrado, disse Saulo. Saulo disse que outros riscos associados ao calor extremo incluem uma maior disseminação de doenças transmitidas por vetores, como mosquitos e carrapatos, e redução do suprimento de alimentos e água."Precisamos nos preparar para um evento El Niño potencialmente forte - que exacerbará a seca e as chuvas fortes e aumentará o risco de ondas de calor tanto na terra quanto no oceano", disse a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo.
"As comunidades que já estavam enfrentando dificuldades serão levadas muito além de seus limites", disse ela.
Efeitos na economia
Para os consumidores, que enfrentam inflação devido à guerra do Irã, os preços dos alimentos podem aumentar ainda mais por causa do El Niño. Hein Schumacher, presidente-executivo da Barry Callebaut, uma das maiores processadoras de cacau do mundo, alertou que as colheitas nas regiões de cultivo do Equador e da África Ocidental, que respondem por 60% da produção global, podem ser reduzidas. "Isso é algo que estamos observando com muita cautela", disse ele à imprensa na terça-feira (2). "O El Niño pode ter um efeito que pode levar a alguns milhares por tonelada." Algumas agências meteorológicas nacionais previram o El Niño mais forte em uma década. A OMM é mais cautelosa, mas disse que observou condições de subsuperfície anormalmente quentes em todo o Pacífico tropical, com temperaturas superiores a 6 graus Celsius (°C) acima da média, criando um reservatório de calor que está impulsionando o aquecimento da superfície. O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que esse foi um lembrete da necessidade de uma mudança dos combustíveis fósseis para a energia renovável. "O mundo deve tratar isso como um alerta climático urgente. As condições do El Niño colocarão lenha na fogueira de um mundo em aquecimento", disse ele. *Reportagem adicional de Paolo Laudani, em Gdansk Relacionadas
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