“Em todo o mundo, os direitos humanos estão sendo reprimidos de forma deliberada, estratégica e, às vezes, orgulhosa”, acrescentou. Segundo o chefe de Direitos Humanos da ONU, Volker Turk, a instituição está em “modo de sobrevivência” devido aos cortes de financiamento que vieram acompanhados de pressão sobre os especialistas da ONU e desligamento dos Estados Unidos (EUA). O país, maior doador da organização, pagou apenas US$ 160 milhões dos mais de US$ 4 bilhões que deve ao órgão global, disse um porta-voz da organização na semana passada.“O Estado de Direito está sendo substituído pelo Estado de Força”, disse Guterres, em discurso na abertura do Conselho de Direitos Humanos em Genebra.
Volker Turk disse ao conselho que o mundo enfrenta a mais intensa competição por poder e recursos desde a Segunda Guerra Mundial, em meio a violações generalizadas dos direitos humanos. Ele se juntou a Guterres para pedir o fim dos abusos nos conflitos no Sudão, em Gaza, Mianmar e na Ucrânia. Um diplomata, falando sob condição de anonimato devido à sensibilidade da questão, disse que, apesar do apoio de alguns Estados-membros para fortalecer e apoiar o sistema de direitos humanos, o financiamento continua sendo um desafio. A ONU afirma que a falta de financiamento impediu que duas investigações iniciadas em 2025 — uma sobre possíveis crimes de guerra na República Democrática do Congo e outra sobre abusos no Afeganistão — entrassem em operação.“As necessidades humanitárias estão explodindo enquanto o financiamento entra em colapso”, declarou Guterres.
Territórios palestinos
Guterres também disse que violações flagrantes do direito internacional nos territórios palestinos ocupados ameaçam a viabilidade de um Estado palestino.Este mês, o gabinete de Israel aprovou as últimas medidas para reforçar o controle de Israel sobre a Cisjordânia ocupada e facilitar a compra de terras pelos colonos, uma iniciativa que os palestinos chamaram de “anexação de fato”. Relacionadas“A solução de dois Estados está sendo destruída em plena luz do dia. A comunidade internacional não pode permitir que isso aconteça”, afirmou.
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