• Quarta-feira, 4 de março de 2026

Dino suspende quebra de sigilo de lobista ligada a Lulinha

O ministro do STF entendeu que decisão da CPMI do INSS não apresentou uma "fundamentação concreta".

O ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), suspendeu nesta 4ª feira (4.mar.2026) a decisão da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS que autorizou quebra de sigilo fiscal de Roberta Luchsinger, apontada como lobista amiga de Fábio Luís Lula da Silva, 51 anos, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Eis a íntegra (PDF – 155 kB).

Dino considerou que, ao determinar a medida, os congressistas não apresentaram uma “fundamentação concreta” que possa embasar a quebra dos dados fiscais da empresária. Luchsinger é apontada como elo entre Lulinha e o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS –investigado como um dos líderes do esquema de fraudes nos descontos associativos de beneficiários do INSS. 

A CPMI havia determinado a quebra do sigilo bancário da lobista em 26 de fevereiro na mesma votação em que aprovaram a quebra dos sigilos do Lulinha. O relator do inquérito do INSS no Supremo, André Mendonça, já havia compartilhado as informações com a PF (Polícia Federal) em janeiro. Leia ao final desta reportagem.

Roberta é herdeira do ex-banqueiro suíço Peter Luchsinger, ex-acionista do banco Credit Suisse. Foi casada com o ex-delegado da PF Protógenes Queiroz, responsável pela operação Satiagraha e condenado pelo STF por sua atuação.

“Mostra-se presente o perigo de dano ao direito à intimidade da impetrante se quebrado o sigilo bancário e fiscal sem a devida fundamentação da autoridade competente”, afirmou o ministro. 

Dino destacou que Luchsinger já é investigada pela Polícia Federal e que, por isso, não há possibilidade de destruição dos dados fiscais já coletados.

O Poder360 antecipou que a PF já quebrou o sigilo fiscal do filho do presidente em janeiro e está cruzando as informações com as de outros investigados, como o Careca do INSS e a lobista Roberta Luchsinger. O objetivo é ver como foi o fluxo de dinheiro entre contas bancárias de todos os citados.

Este jornal digital também revelou em 4 de dezembro de 2025 que documentos preliminares da apuração da Polícia Federal indicavam que Lulinha pode ter recebido uma mesada de R$ 300 mil do esquema de desvios de recursos de beneficiários da Previdência Social. O filho do presidente da República nega ter cometido irregularidades.

Há indícios de que o responsável pelo pagamento a Lulinha foi o Careca do INSS. Ele está preso desde 12 de setembro de 2025.

Segundo reportagem dos jornalistas Luiz Vassallo e Aguirre Talento publicada na 2ª feira (2.mar.2026), Lulinha disse a pessoas próximas que o Careca do INSS pagou sua passagem e hospedagem a Portugal no final de 2024. O texto não apresenta provas. 

O filho do presidente teria dito que viajou com Antunes para visitar uma fábrica de produção de cannabis com fins medicinais e negou ter recebido qualquer pagamento do lobista. Ele teria sido convidado a se associar com Antunes no ramo da cannabis, mas a proposta “não se concretizou”.

Lulinha também afirmou ter sido apresentado ao lobista por meio de Roberta Luchsinger, amiga dos dois. Ela e o Careca tinham interesse em questões regulatórias da Anvisa com relação à cannabis medicinal.

“Prestaremos esclarecimentos sobre os fatos ao STF, foro adequado para a apuração, motivo pelo qual considero inoportuna a antecipação da discussão de matéria fática no foro público da imprensa”, disse a defesa de Lulinha.

Na decisão que autorizou a quebra dos sigilos de Lulinha, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça determinou que os provedores de internet nos quais o filho do presidente mantém e-mails preservem os arquivos pelo tempo que for necessário para as investigações.

Mendonça é o relator no Supremo da investigação que apura fraudes de descontos ilegais em pagamentos a beneficiários do INSS. O magistrado chegou ao STF em dezembro de 2021, indicado pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL). Além de relatar a investigação do escândalo do INSS, Mendonça cuida do caso do Banco Masterliquidado extrajudicialmente pelo Banco Central e suspeito de ter usado títulos de créditos falsos em seus balanços.

A decisão sobre quebra de sigilos requerida pela Polícia Federal coincide com o período em que o presidente Lula passou a falar mais em público sobre seu filho e a suspeita de fraudes no INSS.

A CPMI investiga suspeitas de fraudes e descontos indevidos em benefícios do INSS. A quebra de sigilo autoriza que a comissão tenha acesso a movimentações financeiras, declarações fiscais e contratos relacionados ao investigado.

Até o momento, não há decisão judicial que atribua crime a Lulinha. A medida integra a fase de coleta de provas no âmbito da comissão parlamentar.

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Por: Poder360

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