• Sábado, 21 de fevereiro de 2026

Dinamarca indeniza pacientes por perda de visão ligada ao Ozempic

Quatro pessoas receberam compensações após desenvolverem uma doença ocular rara associada ao uso de semaglutida, princípio ativo do Ozempic

A Dinamarca concedeu indenização a quatro pacientes que perderam parte da visão após usar . A decisão foi anunciada nesta sexta feira (21/11) pela Associação Dinamarquesa de Indenização a Pacientes. No total, os pacientes irão receber cerca de 800 mil coroas dinamarquesas, o equivalente a aproximadamente R$ 665 mil reais. Os medicamentos, usados para diabetes e , contêm semaglutida. Em junho, o comitê de segurança da Agência Europeia de Medicamentos informou que o composto pode estar associado, em raros casos, à neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica, conhecida como NAION. A condição provoca danos permanentes ao nervo óptico e pode levar à perda irreversível da visão. Após essa avaliação, as bulas de Ozempic e Wegovy foram atualizadas na Europa para incluir o risco, estimado em até um caso a cada 10 mil pacientes. O que é NAION? A neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (NAION) é uma doença da parte anterior do nervo óptico e pode causar perda de visão e defeitos no campo visual. É um efeito colateral muito raro do Wegovy, Ozempic ou Rybelsus, medicamentos que contêm o princípio ativo semaglutida. Estatisticamente, a NAION como efeito colateral da semaglutida afeta menos de 1 em cada 10 mil pacientes. Primeiros casos analisados A associação, que avalia reclamações de pacientes em nome do Estado, recebeu 43 pedidos de indenização relacionados à possivelmente ligada aos medicamentos. Até agora, cinco casos foram analisados, com quatro decisões favoráveis e um indeferimento. A análise é considerada complexa porque envolve uma doença rara e porque muitos dos pacientes já pertenciam ao grupo de risco para desenvolver NAION. Leia também Segundo o órgão, os especialistas avaliam cada caso individualmente, levando em conta o tempo de uso do medicamento e o intervalo entre a interrupção e o início dos sintomas. Estudos sugerem que o risco não aumenta entre quem utilizou o remédio por mais de 14 meses sem apresentar sinais da doença. Impactos na rotina dos pacientes A associação informou ainda que o valor das indenizações pode ser ampliado caso fique comprovado que a perda de visão impactou a capacidade de trabalho dos pacientes. Alguns dos afetados relataram dificuldade para dirigir, ler ou até enxergar os próprios pés ao caminhar. O Metrópoles entrou em contato com a Novo Nordisk, fabricante dos dois medicamentos, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto. Siga a editoria de e fique por dentro de tudo sobre o assunto!
Por: Metrópoles

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