• Terça-feira, 9 de junho de 2026

Descoberta de ossadas de cavalo e gado levanta suspeita de comércio clandestino de carne no ES

Polícia Civil localiza restos de cavalos e gado em Aracruz e investiga esquema de comércio clandestino de carne no ES direcionado à Grande Vitória.

Uma investigação minuciosa foi instaurada pela Polícia Civil do Espírito Santo após a localização de dezenas de carcaças de animais em uma área rural no Norte capixaba. O caso acendeu o alerta máximo das autoridades para a atuação de uma organização criminosa envolvida no comércio clandestino de carne no ES, que abasteceria feiras e estabelecimentos comerciais da Região Metropolitana sem qualquer tipo de inspeção ou controle sanitário.

A descoberta ocorreu na última sexta-feira (5), em uma plantação de eucaliptos localizada às margens da rodovia ES-010, na região de Vila do Riacho, em Aracruz. Após o recebimento de uma denúncia anônima, agentes policiais se deslocaram até o ponto indicado e constataram um cenário alarmante: aproximadamente 32 cabeças de gado bovino e diversos restos mortais de cavalos estavam espalhados pelo terreno.

De acordo com os delegados responsáveis pelo caso, Leandro Piquet e Leandro Sperandio, as evidências preliminares sugerem que os animais eram transportados até a propriedade para serem abatidos de forma imediata. “A informação é de que esses animais eram levados para lá para a carne ser vendida”, explicou Piquet. Os investigadores apontam ainda que um veículo de grande porte foi utilizado recentemente para o descarte logístico dos ossos remanescentes na propriedade.

Investigação aponta comércio clandestino de carne no ES com abate a céu aberto

Conforme o avanço dos trabalhos da Polícia Civil, a principal linha de investigação indica que, logo após o abate clandestino no interior de Aracruz, as peças de carne eram rapidamente escoadas para distribuição em municípios da Grande Vitória. Essa dinâmica de transporte ágil evitava a interceptação imediata pelas barreiras fiscais e autoridades sanitárias locais, permitindo que a mercadoria ilegal entrasse diretamente na cadeia de consumo urbano de maneira camuflada.

Riscos severos à saúde pública e crime ambiental

O desdobramento do caso envolve múltiplos delitos previstos na legislação penal brasileira. O delegado Leandro Piquet destacou que a prática configura um grave crime ambiental, visto que o desmantelamento e o descarte inadequado de dezenas de ossadas e tecidos orgânicos causam a contaminação direta do solo e do lençol freático da região.

Além do impacto ecológico, o cenário representa uma ameaça crítica à saúde pública. O abate realizado em condições rudimentares, exposto a vetores e sem refrigeração, descumpre categoricamente todas as normas preconizadas pela vigilância sanitária estadual e federal, expondo o consumidor final a riscos severos de infecções gastrointestinais e contaminações por patógenos pesados.

Alerta ao consumidor sobre fraudes na compra de proteínas

Um dos pontos mais preocupantes levantados pela equipe de investigação é o potencial crime de estelionato e fraude econômica contra a população. Por envolver o manejo simultâneo de carcaças bovinas e equinas no mesmo local, há fortes indícios de que carne de cavalo estivesse sendo comercializada rotulada de forma enganosa.

“O consumidor pode estar sendo induzido ao erro, comprando, no lugar de uma carne bovina ou suína, uma carne de cavalo”, alertou o delegado Leandro Piquet.

A Polícia Civil informou que as diligências continuam em ritmo acelerado para rastrear o destino exato de cada lote comercializado, bem como identificar e prender todos os integrantes da quadrilha responsáveis pelo abate irregular e pela receptação do material na Região Metropolitana.

Por: Redação

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