A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) concluiu nesta 4ª feira (21.jan.2026) que Miguel Gutierrez, ex-CEO da Americanas, liderou a fraude contábil bilionária descoberta na companhia em 2023, segundo O Globo. O relatório da Superintendência de Processos Sancionadores foi divulgado em janeiro de 2026, 3 anos depois do caso vir a público.
O esquema operou por ao menos uma década sem conhecimento do Conselho de Administração ou de seus comitês. A apuração identificou 31 pessoas envolvidas nas irregularidades, parte de um grupo de mais de 40 investigados por autoridades administrativas e criminais.
As conclusões reforçam as apurações conduzidas pelo MPF (Ministério Público Federal). Em delação premiada firmada em outubro de 2025, o ex-diretor Márcio Cruz Meirelles afirmou que Gutierrez tinha a “palavra final” sobre as manipulações contábeis. O depoimento integrou a denúncia apresentada pelo MPF em março de 2025, que apontou fraudes de ao menos R$ 22,8 bilhões.
O escândalo foi revelado em 11 de janeiro de 2023, quando a Americanas informou ao mercado a existência de “inconsistências contábeis”. O rombo inicial foi estimado em R$ 20 bilhões. A PF (Polícia Federal) calcula prejuízo total de cerca de R$ 25 bilhões.
A CVM afirma que Gutierrez comandou o esquema por meio de fraudes “incrementais e continuadas”, com emissão e negociação de valores mobiliários com base em informações falsas. O órgão também cita como integrantes do núcleo principal da fraude os ex-executivos Anna Saicali, José Timóteo de Barros, Márcio Cruz Meirelles e Fábio Abrate.
Em abril de 2025, o MPF denunciou 13 ex-executivos e ex-funcionários por associação criminosa, falsidade ideológica e manipulação de mercado. Nove também respondem por uso de informação privilegiada. Os acionistas de referência Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira não foram denunciados.
No relatório, a CVM defende a responsabilização da companhia e de seus administradores estatutários. Segundo o órgão, deixar de punir os envolvidos “ensinaria ao mercado o caminho para nunca mais ser punido”.





