Após conversas com o Vaticano, Cuba anunciou na 5ª feira (12.mar.2026) que vai libertar 51 prisioneiros nos próximos dias. A medida é tomada em um momento de intensa pressão dos Estados Unidos sobre a ilha caribenha.
“Em espírito de boa vontade e das relações próximas e fluidas entre o Estado cubano e o Vaticano, com os quais historicamente tem sido mantida comunicação sobre a revisão e a libertação de prisioneiros, o governo cubano decidiu libertar 51 pessoas condenadas à prisão nos próximos dias”, afirmou o Ministério das Relações Exteriores cubano em comunicado.
Segundo a agência Reuters, o anúncio da libertação dos prisioneiros foi feito duas semanas depois de o ministro das Relações Exteriores cubano, Bruno Rodríguez Parrilla, reunir-se com o papa Leão 14 no Vaticano.
Cuba enfrenta uma forte crise econômica, agravada pela suspensão do envio de petróleo venezuelano imposta pelo presidente norte-americano, Donald Trump (Partido Republicano). Desde o colapso da União Soviética nos anos 1990, a Venezuela se converteu no principal parceiro do regime cubano e em seu principal fornecedor de petróleo.
No comunicado, o governo cubano afirmou que desde 2010 concedeu indultos a 9.905 prisioneiros e, nos últimos 3 anos, libertou cerca de 10.000 pessoas condenadas à pena de prisão por meio de diferentes benefícios.
A chancelaria cubana não especificou se os 51 presos liberados estavam em regime fechado por terem cometido crimes políticos ou crimes comuns.
“Essa decisão soberana é uma prática comum em nosso sistema de justiça criminal e caracteriza a trajetória humanitária da revolução, que, dessa vez, coincide com a proximidade das celebrações religiosas da Semana Santa”, acrescentou o comunicado.
Historicamente, o regime cubano se recusa a atribuir suas decisões a pressões externas, especialmente dos Estados Unidos. Desde que os EUA invadiram a Venezuela e capturaram o então presidente Nicolás Maduro (PSUV, esquerda), aliado de Cuba, Trump tem elevado o tom em relação à ilha.
Na 2ª feira (9.mar), disse que o regime cubano enfrenta “sérios problemas” humanitários e que os planos da Casa Branca podem ou não incluir “uma tomada de controle amigável” do país.
Com a interrupção das exportações de combustível de Caracas para Havana, Cuba enfrenta uma grave crise, com escassez de energia, alimentos e remédios. Há longos apagões e dificuldades no sistema de saúde.
Em 8 de fevereiro, o México, governado por Claudia Sheinbaum (Morena, esquerda), forneceu ajuda humanitária à ilha.
Na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que Cuba não passa fome por incapacidade produtiva, mas por uma decisão política de outros países.
A fala foi feita na cerimônia de abertura da 39ª Conferência Regional da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), no Palácio do Itamaraty, em Brasília. O discurso de Lula foi feito no momento em que o governo brasileiro preparava o envio concreto de assistência à ilha.





