Entre silêncio e grito, nasce “Corpos que Tombam”, um espetáculo que faz do palco um território de memória, denúncia e resistência. Estreado em 22 de novembro de 2025, no Festival Satyrianas, em São Paulo, o trabalho coloca em foco uma das mais alarmantes realidades do país: a violência de gênero. Mato Grosso, estado de origem da companhia, ocupa o primeiro lugar no Brasil em casos de feminicídio — dado que reforça a urgência do tema tratado.
A obra expõe o peso do silêncio imposto às vítimas, o machismo estrutural que atravessa a sociedade e a necessidade de transformar a dor em força coletiva. Mais que um lamento, o espetáculo se assume como um chamado à vida: “porque enquanto houver sangue, haverá voz”.
O elenco reúne estudantes das ênfases de direção, produção, atuação e iluminação da MT Escola de Teatro. Em constante processo de pesquisa e criação, o grupo demonstra dedicação profunda à proposta cênica e ao compromisso ético com as histórias de mulheres e corpos dissidentes que a sociedade insiste em calar.
Os primeiros resultados mostrados ao público reafirmam a potência do projeto: provocar reflexão, gerar desconforto e romper com a naturalização da violência, ainda vista como estatística quando um corpo feminino tombado é tratado como apenas “mais um”.
O processo segue em desenvolvimento, ampliando sua investigação para incluir também a violência direcionada à comunidade LGBTQIA+, questão igualmente silenciada e marcada por agressões recorrentes.

Vozes da criação
Para a diretora Francislaine Almeida, a arte é imprescindível na transformação social:
“Acreditamos na arte como ferramenta de transformação. É por meio dela que convidamos o público a pensar, sentir e discutir o que não pode ser ignorado. Trabalhar com esse elenco foi uma satisfação: há força, rigor e empenho de cada artista na construção deste espetáculo. Essa troca me traz confiança e expectativas para este projeto lindo que está nascendo.”
O produtor cultural Anderson Kabeça destaca a importância da estreia em São Paulo:
“Estar em um dos maiores festivais do país ampliou nosso alcance e nos desafiou a crescer profissionalmente. E levar justamente uma peça que aborda uma temática tão urgente tornou tudo ainda mais significativo. A arte pode e deve provocar transformação.”
Já o ator Kelwen Dutra reforça o impacto emocional e social da obra:
“A pesquisa segue se aprofundando e cada vez encontramos mais casos de violência e corpos silenciados. Estrear em São Paulo marcou nossas carreiras, mas nossa missão é maior e continua. Precisamos dar visibilidade ao que segue acontecendo diariamente.”

Ficha Técnica
Nome: Corpos que Tombam
Dramaturgia: Adaptação Coletiva, Grupo Trama do Drama
Direção: Francislaine Almeida
Atuação: Nathally Sena, Kelwen Dutra, Tamily Almeida, Raylay, Adrieli Orso
Cenário e Figurino: Trabalho Coletivo
Iluminação: Vicente Monge
Sonoplastia: Francislaine Almeida
Produção Cultural: Anderson Kabeça
“Corpos que Tombam” segue sua trajetória artística com o compromisso de transformar a dor em discurso e o palco em trincheira — para que nenhuma vida seja silenciada.





