O Índice de Confiança do Consumidor (ICC), medido pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), subiu 1 ponto em abril na comparação com março, alcançando 89,1 pontos. O resultado iguala o patamar registrado em dezembro do ano passado, até então o mais elevado da série recente. Na média móvel trimestral, o indicador avançou 0,6 ponto, chegando a 87,8 pontos. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (24), no Rio de Janeiro.
De acordo com a economista do Ibre Anna Carolina Gouveia, a melhora da percepção sobre a situação atual da economia foi determinante para a segunda alta consecutiva da confiança do consumidor. Segundo ela, contribuíram para o resultado a inflação mais controlada e a resiliência do mercado de trabalho. A economista também destacou que o avanço tem sido mais expressivo entre as famílias de menor renda, possivelmente influenciado por medidas como a ampliação da isenção do Imposto de Renda, que pode ter proporcionado alívio temporário no orçamento desse grupo.
Os dois componentes do índice registraram alta em abril. O Índice de Situação Atual (ISA), que mede a avaliação sobre o momento presente, subiu 2,1 pontos, para 85,3 pontos. Já o Índice de Expectativas (IE), que capta a visão sobre os próximos meses, avançou 0,2 ponto, alcançando 92,3 pontos. Segundo Gouveia, o principal fator por trás do resultado do mês foi a melhora na percepção sobre a situação financeira atual das famílias, cujo indicador específico avançou 3,9 pontos.
Por faixa de renda, o maior avanço foi observado entre consumidores com rendimento mensal de até R$ 2,1 mil, que registraram alta de 3,4 pontos em abril, após crescimento de 5,4 pontos em março. Para os próximos meses, a economista avalia que o cenário ainda é incerto, especialmente devido aos possíveis impactos de conflitos internacionais sobre a inflação no Brasil. Segundo ela, uma eventual aceleração dos preços pode reduzir a confiança e aumentar o pessimismo dos consumidores.
Outro fator de atenção é o elevado nível de endividamento das famílias, que tende a ter solução mais lenta. Apesar de uma melhora pontual recente, possivelmente associada a medidas em estudo pelo governo, o tema continua sendo um desafio. Na avaliação da especialista, políticas que contribuam para aliviar o orçamento das famílias podem ajudar a sustentar a confiança, permitindo que os consumidores equilibrem as contas e retomem o consumo.
* Com informações de Agência Brasil





