Um comprimido experimental de uso diário reduziu em até 60% o , conhecido como “ruim”. Pesquisadores acreditam que ele pode se tornar uma alternativa às terapias injetáveis usadas atualmente.
Os resultados do ensaio clínico de fase 3 foram apresentados no último sábado (8/11) durante as Sessões Científicas 2025 da Associação Americana do Coração, em Nova Orleans (EUA), e publicados em 9 de novembro no .
O novo medicamento, chamado enlicitide, é o primeiro inibidor oral da proteína PCSK9, alvo das terapias mais eficazes contra o colesterol alto.
Hoje, os inibidores de PCSK9 disponíveis são aplicados por injeção subcutânea e costumam ser indicados a pacientes que não conseguem atingir níveis ideais de colesterol mesmo com o uso de estatinas e mudanças no estilo de vida. A enlicitide demonstrou eficácia semelhante aos anticorpos injetáveis já usados no mercado, como evolocumab e alirocumab.
“Este medicamento oral tem tudo para ser um poderoso complemento aos tratamentos atuais e, com sorte, prevenir eventos cardiovasculares”, disse a cardiologista Ann Marie Navar, em comunicado. A especialista do Centro Médico da Universidade do Texas Southwestern, em Dallas, é a principal autora do estudo.
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Redução expressiva de colesterol
A pesquisa CORALreef Lipids incluiu 2.912 adultos com histórico de , derrame ou risco elevado de doença cardiovascular.
Após 24 semanas de tratamento, os participantes que receberam a pílula apresentaram reduções médias de 60% no colesterol LDL, 53% no colesterol não-HDL e 50% na proteína ApoB, que transporta gordura e colesterol ruim pelo corpo.
Sete em cada dez voluntários alcançaram uma redução de pelo menos 50% no LDL e atingiram níveis abaixo de 70 mg/dL, considerados ideais para prevenção de novos eventos cardiovasculares. O perfil de segurança foi semelhante ao do grupo que recebeu placebo, sem aumento de efeitos colaterais graves.
Ann Marie afirmou que os resultados com o uso diário de enlicitide foram “praticamente idênticos” aos observados com os injetáveis e até superiores aos de outro medicamento da mesma classe, o inclisiran, administrado por injeção semestral.

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1 de 10 O colesterol é um composto gorduroso essencial para produção da estrutura das membranas celulares e de alguns hormônios Sebastian Kaulitzki/Science Photo Library/Getty Images
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2 de 10 No entanto, o que entendemos normalmente como colesterol é, na verdade, um somatório de diferentes tipos: os famosos HDL e LDL Getty Images
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3 de 10 O LDL, conhecido como colesterol "ruim", quando está em níveis altos, pode formar uma placa nas paredes das artérias, dificultando ou impedindo a passagem do sangue istock
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4 de 10 Quanto mais elevadas as taxas de LDL, maior o risco de doenças cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC) VSRao/https://pixabay.com
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5 de 10 Apesar de silencioso, alguns sinais podem dar indícios do problema Unsplash
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6 de 10 São eles: xantelasmas e xantomas (pequenas bolinhas de gordura que aparecem na pele), dores na barriga, nos dedos dos pés e das mãos Getty Images
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7 de 10 Para controlar o colesterol ruim é importante realizar, por exemplo, exercícios durante 30 minutos por dia, três vezes por semana iStock
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8 de 10 Aumentar a ingestão de fibras solúveis, como farinha e farelos de aveia, que absorvem o excesso de colesterol no intestino e o eliminam do corpo Tatyana Berkovich/istock
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9 de 10 Aumentar a ingestão de gorduras saudáveis, que estão presentes no azeite extravirgem e nos alimentos ricos em ômega 3 iStock
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10 de 10 E aumentar a ingestão de bebidas como chá-preto e suco de berinjela, que também ajudam no controle do colesterol Tatyana Berkovich/istock
Alternativa mais prática
A enlicitide atua bloqueando a ligação da PCSK9 aos receptores de LDL no fígado, o que aumenta a eliminação do colesterol ruim da corrente sanguínea. Ao ser administrada por via oral, pode representar uma opção mais acessível e prática para pacientes que precisam de , mas preferem evitar as aplicações.
O estudo foi conduzido em 168 centros de saúde em 14 países entre agosto de 2023 e julho de 2025. Cerca de 97% dos participantes já faziam uso de estatinas e 26% tomavam medicamentos adicionais para reduzir a absorção de colesterol.
Os pesquisadores agora aguardam os resultados do ensaio CORALreef Outcomes, que avaliará se a redução do colesterol obtida com a pílula também se traduz em menor risco de ataque cardíaco e
“Os resultados são promissores e indicam uma nova etapa no tratamento do colesterol alto, especialmente para quem não alcança o controle adequado com os métodos atuais”, afirmou Navar durante o congresso.
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