As exportações brasileiras para os EUA registraram queda de 20,3% em fevereiro, totalizando US$ 2,5 bilhões, contra US$ 3,17 bilhões no mesmo mês de 2025. Em contrapartida, as exportações para a China cresceram 38,7% em fevereiro na comparação anual, alcançando US$ 7,22 bilhões.
O avanço foi impulsionado principalmente pelo aumento do volume de embarques, que subiu 35,3%. Os dados foram divulgados pelo Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) na 5ª feira (5.mar.2026).
As tarifas impostas pelos EUA abriram espaço para a China se consolidar como principal destino das commodities brasileiras. Outros mercados também ampliaram compras, como a União Europeia e o Japão.

A especialista em investimentos, Maressa Campos, afirma que o dado de fevereiro não conta só uma história de crescimento. “Conta uma mudança de peso. Europa e Ásia ganham relevância, os Estados Unidos seguem no radar, mas já não são os que puxam o ritmo”.
De acordo com ela, a China não ocupou um vazio, mas reforçou uma posição sólida. O crescimento em fevereiro reflete a demanda chinesa por soja, minério de ferro, petróleo e proteína animal, que são exatamente os produtos que sustentam a balança comercial brasileira.
O bloco europeu aumentou suas importações do Brasil em 34,7%, somando US$ 4,2 bilhões. Nesse caso, o crescimento resultou da combinação entre o aumento da quantidade de produtos enviados (+16,7%) e a valorização dos preços médios (+14,9%).
A tendência é que o comércio com a UE (União Europeia) cresça depois do acordo com o Mercosul (Mercado Comum do Sul). O Senado aprovou nesta 4ª feira (4.mar.2026) o tratado de livre comércio, etapa final da tramitação no Brasil. O acordo cria uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, com mercado de mais de 700 milhões de pessoas.
Ainda falta a ratificação do Parlamento Europeu e do Paraguai. Na Europa, há resistência de alguns países. Mesmo assim, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, defendeu a aplicação provisória do tratado para países que já o aprovaram.
Já é possível que a alta tenha ocorrido por conta do acordo UE-Mercosul, de acordo com Campos. “Acordos comerciais costumam produzir efeito antes mesmo de entrarem em vigor. Empresas antecipam contratos, reorganizam fornecedores e tomam decisões de compra com base no que está por vir”, afirmou.
As exportações brasileiras para os EUA vêm registrando quedas consecutivas ao longo de 2025 e 2026. Em janeiro de 2026, a retração foi ainda mais intensa do que em fevereiro, com queda de 26% na comparação anual, para US$ 2,38 bilhões.
A melhora observada em fevereiro pode ter relação com uma decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, que derrubou as tarifas de Donald Trump no dia 20 de fevereiro. A Justiça manteve apenas a taxa geral de 10% nos últimos dias do mês.
Para Campos, “a tarifa de 10% reduz atritos, mas não elimina todas as barreiras, e hoje outros mercados estão absorvendo o crescimento exportador com mais intensidade”.
Ao longo de 2025, houve meses de recuo ainda mais expressivo nas vendas ao mercado norte-americano. É o caso de outubro, quando a queda chegou a 35,4%, e de novembro, com retração de 30%.
Os EUA estabeleceram as primeiras tarifas no início de 2025. O Brasil ficou com uma taxa de 10%, a mínima entre os países afetados. Mesmo assim, nos primeiros meses de 2025, as exportações brasileiras mantiveram trajetória de alta frente ao mesmo período do ano anterior.
As quedas na mesma base de comparação começaram em agosto, quando entrou em vigor a tarifa de 50%. No mesmo mês, as exportações para a China atingiram US$ 9,36 bilhões, o maior valor desde o início do governo Trump, com alta de 29,2% em relação a agosto de 2024.
Em fevereiro, as importações brasileiras de produtos norte-americanos também caíram para US$ 2,79 bilhões, recuo de 16,5% frente a fevereiro de 2025 (US$ 3,33 bilhões). Com isso, a balança comercial com os Estados Unidos registrou deficit de US$ 265 milhões no 2º mês de 2026.

Além dos parceiros tradicionais, o relatório do Mdic mostra que outros mercados tiveram alta relevante nas exportações brasileiras na comparação anual em fevereiro:
As exportações brasileiras para o Mercosul somaram US$ 1,56 bilhão, com queda de 19,5% na comparação anual. O recuo foi puxado principalmente pela forte retração das vendas para a Argentina (-26,5%), um dos principais mercados da indústria de transformação brasileira.





