• Domingo, 24 de maio de 2026

Centro de Florianópolis sofre com salas vazias e aposta na “dinamarquização” e retrofit para voltar aos anos dourados

Região que já foi a referência e única opção para resolver serviços e compras na Ilha tenta recuperar espaço perdido

O Centro de Florianópolis vive uma crise multifatorial. O movimento de outrora já não existe. Centros comerciais amargam salas vazias, o fluxo nas ruas diminuiu drasticamente e as placas de “aluga-se” se multiplicam em vitrines e fachadas.

Este colunista circulou recentemente pelo Pórtico Centro Comercial, na Rua Felipe Schmidt, e deu dó ver corredores desertos, salas fechadas e as poucas abertas à espera de raros clientes.

Como escrevi no início deste texto, as causas são diversas. No passado, quem buscava produtos ou serviços tinha na região central praticamente a única opção da cidade. A pandemia trouxe um baque profundo: além da queda brusca no faturamento, descobriu-se que era possível trabalhar de casa — e o home office veio para ficar. Some-se a isso a mudança de horário do serviço público, o fortalecimento dos bairros, que ganharam suas próprias centralidades e ampliaram a oferta de comércio e serviços — hoje encontra-se quase tudo fora do Centro, sem necessidade de deslocamento. Junta-se ainda a degradação urbana e a sensação de insegurança associada ao aumento da população em situação de rua. Deu no que deu.

Apesar do cenário desolador, há abnegados que resistem e iniciativas relevantes que reacendem a esperança de um futuro melhor. Um exemplo é o projeto bancado pela ACIF e pela CDL Florianópolis, que contrataram o escritório do renomado arquiteto dinamarquês Jan Gehl. A proposta aposta na revitalização de áreas estratégicas, na reconexão da cidade com o mar e em um novo dinamismo urbano — a chamada “dinamarquização” do Centro.

Outro caminho é o retrofit, que permite a reconversão de imóveis comerciais em residenciais, trazendo moradores de volta ao coração da cidade. Há ainda o vigor do Centro Leste e o trabalho persistente dos voluntários da Associação Praça Olívio Amorim (APROA), turma que insiste em pensar melhorias e ocupar os espaços públicos com vida e pertencimento.

São essas pessoas e entidades que mantêm acesa a esperança de que o Centro de Florianópolis, ainda que não volte a ser exatamente como antes, possa reencontrar vitalidade e dias melhores no futuro.

Por: NSC Total

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