O governo federal anunciou uma linha de crédito especial para que taxistas e motoristas de aplicativo comprem ou troquem de carro com juros mais acessíveis. A medida provisória (MP) que cria a opção de financiamento foi assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em evento na terça-feira (19), em São Paulo.
As taxas de juros a serem cobradas no financiamento dos veículos ainda não foram divulgadas. Elas devem ser definidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) ainda nesta semana, segundo informações do jornal O Globo.
No entanto, uma das informações antecipadas foi a de que elas devem ser diferentes para homens e mulheres. Segundo o presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), motoristas homens devem ter taxa de 12,6% ao ano, enquanto condutoras mulheres podem ter acesso a juros anuais de até 11,5%. Ambas são inferiores à taxa Selic, atualmente de 14,5%, e devem representar opções bem mais vantajosas do que os financiamentos atuais de veículos.
O programa foi batizado de “Move Brasil”. Ao comentar o lançamento da medida, Lula afirmou que as parcelas devem ser menores do que os valores que muitos motoristas pagam atualmente para rodar com carros alugados para poder trabalhar nos aplicativos. A procura por carros alugados para aplicativos atraiu locadoras segmentadas de carros e até “aluguel informal” nos últimos anos.
Os financiamentos devem permitir a compra de veículos de até R$ 150 mil, com seis meses de carência para início de pagamento e parcelamento em até 72 meses (seis anos). Essa faixa de valor responde por seis a cada 10 vendas de veículos, segundo cálculo do governo.
A faixa de valor permite acesso também a veículos elétricos de entrada, que representam a estratégia de parte dos motoristas de aplicativo.
Poderão ter acesso a esse financiamento motoristas de plataformas como Uber, 99 e iFood que tenham feito ao menos 100 corridas no espaço de um ano.
Os financiamentos serão acessados por meio de bancos comerciais, mas utilizando recursos do BNDES. A previsão é de que o banco de fomento destine R$ 30 bilhões para essas operações de crédito, atendendo cerca de 250 mil pessoas. Indiretamente, o programa também deve estimular a indústria automotiva do país.
O programa não deve ter restrição a motoristas que estejam com o nome negativado. No entanto, como o risco será assumido pelos bancos que oferecerem o crédito, eles podem rejeitar a aprovação do financiamento. A intenção do governo é que o ambiente de competição entre bancos permita que alguma das instituições que aderirem ao programa aceite a oferta de crédito.
Para se habilitar, o motorista precisa preencher um cadastro na plataforma gov.br/movebrasil. A resposta se o condutor pode participar do programa sai em um prazo de até cinco dias após o cadastro.





