A Câmara dos Deputados dos Estados Unidos aprovou, nesta quarta-feira (3), uma resolução que limita os poderes do presidente Donald Trump para conduzir ações militares contra o Irã. A medida reflete a pressão dos democratas e o avanço de uma ala dissidente de republicanos insatisfeitos com os rumos do conflito no Oriente Médio.
A votação terminou em 215 votos a favor e 208 contra. O resultado foi garantido pelo apoio de quatro deputados republicanos — Thomas Massie, Brian Fitzpatrick, Tom Barrett e Warren Davidson —, que votaram contra a orientação do próprio partido.
A proposta, de autoria do deputado democrata Gregory Meeks (NY), deveria ter sido votada em maio, mas foi adiada por líderes governistas. Segundo Meeks, o presidente da Câmara, Mike Johnson, tentou "acobertar" a administração diante do desgaste político causado pela alta nos preços dos combustíveis e alimentos nos EUA, reflexos diretos da instabilidade na região.
Antes da votação, o presidente da Câmara defendeu a autonomia da Casa Branca, argumentando que a restrição enfraquece a posição dos EUA nas negociações de paz da chamada "Operação Fúria Épica", que ele considera com objetivos já alcançados. "É uma perspectiva muito perigosa tirar do comandante-em-chefe a capacidade de negociar", declarou Johnson.
Em paralelo à votação, órgãos de fiscalização do Pentágono, do Departamento de Estado e da USAID abriram uma auditoria conjunta sobre a guerra. Por lei, operações militares no exterior que passem de 60 dias exigem aval formal do Congresso americano. Como a ofensiva começou em 28 de fevereiro e o governo não pediu autorização, os inspetores avaliam que o prazo legal foi estourado, ignorando o argumento do secretário de Defesa, Pete Hegseth, de que o teto teria sido "reiniciado" após o anúncio de um cessar-fogo em abril.
*Com informações da CNN Brasil





