Noites excessivamente quentes, típicas de ondas de calor, podem elevar a frequência de apneia obstrutiva do sono. A conclusão é de estudo da Universidade Flinders, na Austrália, publicado no European Respiratory Journal.
Para cada grau de aumento na temperatura, a prevalência da apneia cresce 1,12%. Diante da elevação mundial de temperaturas, pesquisadores afirmam que o cenário pode aumentar a carga global da doença, com impactos individuais e econômicos.
“Sabíamos que fatores ambientais influenciam o sono, como temperatura, poluição e sazonalidade, mas a relação direta entre ondas de calor e piora dos índices de apneia é um dado recente”, diz a neurologista Letícia Soster, do Hospital Israelita Albert Einstein. Para a médica, o estudo sugere que extremos climáticos impactam a fisiopatologia da doença, não apenas a qualidade do sono.
Os pesquisadores analisaram dados de 67.558 adultos de 17 países europeus de 2020 a 2024. Os episódios de apneia foram avaliados por sensor no colchão. As ondas de calor foram definidas como períodos de pelo menos 3 noites consecutivas em que a temperatura média excedeu as máximas históricas. Eis a íntegra, em inglês (PDF – 505 kB).
Ambientes muito quentes dificultam a dissipação de calor do corpo, fragmentam o sono e aumentam despertares. Essa fragmentação prejudica a respiração e pode favorecer a apneia. Também pode haver resposta inflamatória ao estresse térmico.
Pacientes com doença moderada a grave, idosos e pessoas com comorbidades cardiovasculares são mais vulneráveis. O estudo reforça orientações como manter o quarto em temperatura adequada e garantir o uso do Cpap (Pressão Positiva Contínua nas Vias Aéreas, na sigla em inglês).
Por ser um trabalho observacional, não é possível estabelecer relação de causa e efeito. Fatores como uso de ar-condicionado, ventilação e presença de outras doenças não foram avaliados. “Mais do que uma conclusão definitiva, é um alerta dentro do contexto das mudanças climáticas”, afirma Soster.
Este texto foi publicado originalmente pela Agência Einstein em 31 de março de 2026. O conteúdo é livre para republicação, citada a fonte, e foi adaptado para o padrão do Poder360.





